Dia desses, fui fazer uma aula experimental de teatro. Achava que
tinha tudo a ver comigo. Aquela tensão da coxia. A improvisação. A pressão para não errar. As marcas no chão. As caras. As bocas. O falar gritando. A viadagem. Não, a viadagem não, sou macho para caralho. Enfim, toda aquela coisa louca que mexe com os seguidores de Jorginho Fernando.
Cheguei lá e fui logo fazendo um exercício para soltar o corpo. Outro
para soltar a mente. Outro para soltar a imaginação. Já todo
soltinho, comecei a participar mais efetivamente da aula. Além de
notar que não levo o mínimo jeito para a coisa, comecei a perceber
umas semelhanças entre a aula de teatro e o nosso futebol. Principalmente o nosso, o baiano.
É um bando de gente tentando convencer aos outros de que é uma coisa que não é. Mais ou menos como o cara que entra em campo cheio de banca, carregando um penteado diferente, arrumando a chuteira colorida, parecendo que é o rei da cocada preta. Mas quando a bola rola, a gente descobre que é só
encenação.
E tem aquele outro tipo de “ator” que quer aparecer mais que todo mundo, que sempre é o voluntário para liderar os exercícios, que faz questão de estar sempre na fila da frente. Mas o cara apenas grita um pouco mais alto, e só. Igualzinho àquele centroavante que dá entrevistas engraçadas, um verdadeiro frasista, mas que passa um campeonato inteiro sem empurrar uma bola para a rede.
Outro tipo característico do teatro é o professor. Um tiozinho que quer parecer jovenzão, fala forçosamente engraçado, analisa coisas meio babacas e tem o intuito principal de comer as menininhas. Esse aí é o comentarista antigo, o sapão. O cara inventa polêmicas, faz umas piadas sem graça, fala alguns chavões e ainda quer posar de bacana.
No curso de teatro também tem os alunos, digamos, normais. Aqueles
que fazem o curso todo ano, mesmo sabendo que vão ensaiar a mesma
peça e fazer o mesmo personagem. Não ligam se o professor é preguiçoso e não pensou em outro texto para eles encenarem. Lembram muito a torcida que enche os estádios mesmo sabendo que nada mudou, que o time é o mesmo, os dirigentes são os mesmos e a falta de empenho é a mesma.
Rapaz, tô me sentindo culpado agora. Sentei o pau no curso de teatro.
E ainda comparei com a galera do futebol baiano. Mas não é bem assim,
não. As aulas de teatro têm o seu lado legal. Abrem a cabeça. Ainda
mais se você cair do palco. E o principal: rendem textos quando você
está sem assunto novo e cheio de preguiça de falar dos assuntos velhos.
ze, bolota, bruno.
Não é segredo para ninguém que os jogadores do bahia vivem na noite movimentadissima de salvador gastando os seus salários atrasados com mulheres e bebidas.Proponho a vocês um outro blog, que venha, com a ajuda dos leitores denunciar quem for visto na noite vadiando ao invés de estar se preparando para jogar. Essa é uma forma de pelo menos fazer com que os jogadores do bahia tomem vergonha na cara e honrem a camisa que vestem!!!
Abraços a todos.
Anonimo,
Do mesmo jeito que fico puto quando fico sabendo de um jogador do Baêa comendo agua em vespera de jogo, acredito que todos eles são crescidinhos para arcarem com as conseqüencias. Todo mundo é livre pra andar onde quiser.
Quanto a este texto… Lá ele! Essa segunda frase do último parágrafo é coisa de torcedor do vicetorinha!KKK