
Bahia e Portuguesa esqueceram a bola ontem. (Foto: Antônio Alvim-ecbahia.com)
PORTUGUESA 0×1 BAHIA
34ª rodada Brasileirão 2012
Eram 22h de domingo, 4 de novembro de 2012, estávamos eu e meu irmão no drive-thru da McDonald’s no Tatuapé, em São Paulo. Estávamos voltando do Canindé. Ouvíamos Timbalada, cheios de alegria, quando chegamos ao caixa. Antes de fazer o pedido para a senhorinha que estava atendendo, meu irmão ficou cantando a música que rolava no player do carro. Ela expressou-se:
- Nossa, quanta alegria, que bom hein?
Meu irmão respondeu
- É que meu Bahia ganhou, minha tia!
Ela replicou:
- Vocês são Bahia!!?? Não acredito!
Nessa hora me apressei em mostrar pra ela a camisa branca retrô que estava vestindo e confirmamos juntos:
- Claro!!!
Aí, veio a surpresa. A tia falou assim.
- Pois meu filho é Bahia doente!!! E o mais engraçado: a gente não é da Bahia, não conhece ninguém de lá. Ele simplesmente gostou do time desde pequeninho e eu, como corintiana, já tentei fazê-lo desistir e nada. Até camisa do Bahia pela internet a gente já comprou pra ele. Fizemos gozação quando o Bahia caiu, mas ele não desistiu…aí, acabei gostando do Bahia também…mas sou corintiana…Bahia mesmo é ele…
Eu já tava todo sorridente, só fazia repetir, “que massa, irado, sensacional”, quando buzinaram do carro de trás e lembramos do atraso que estávamos causando. Fizemos o pedido do lanche e eu esqueci de pedir o contato e perguntar a idade do filho dela. Ele merece uma camisa…e o Bahia merece ser bem tratado, pois é paixão de gente que a gente nem imagina!!!
Essa história foi muito melhor que o jogo que vi no Canindé. O resultado foi fantástico, principalmente pelas circunstâncias da rodada e pelo adversário ser a Portuguesa, mas o futebol dos dois times foi de me fazer pensar que os dois mereciam cair… O Bahia, principalmente, de quem eu esperava alguma coisa, não esteve inspirado e mais uma vez provocou um show de horrores na hora de trocar passes. Também apresentou, principalmente no primeiro tempo, uma insegurança na defesa ( sistema defensivo, no geral) que me fazia esperar a qualquer momento o ataque cardíaco da Lusa balançar as redes. O cúmulo da maluquice defensiva tricolor foi uma bola que veio rebatida do meio campo, um chutão do volante adversário, cair nos pés de Bruno Mineiro, livre, dentro da grande área, de frente pra Lomba. Sorte que o atacante da Portuguesa perdeu a passada…e foi só escanteio para eles.
No primeiro tempo a movimentação quase nula do time, a falta de um meia de armação, os erros de passe infantis e a falta de coordenação motora de Jones foram fundamentais para o Bahia ser inofensivo. Chegou perto, ciscou, mas não criou grandes chances. A Lusa também errou tudo que não tinha direito. Explicou porque completou o quarto jogo seguido sem balançar as redes.

Souza salvou geral: o time e o próprio couro, rs ( foto: Antônio Alvim – ecbahia.com)
No segundo tempo o Bahia se organizou um pouco melhor. Defensivamente, apesar de uns dois vacilos de Titi e de um passe no fogo que Neto deu pra Lucas Fonseca, a equipe foi mais consistente. Jussandro, pela esquerda, era o ponto fraco e por isso foi bem explorado pelo bom lateral Luís Ricardo, dos paulistas. De qualquer maneira, a defesa e a proteção do meio se ajustaram melhor. Aí ficaram mais expostas as fragilidades na armação e conclusão de jogadas. Que dificuldade para fazer alguma coisa com o mínimo de consciência. E Souza hein? Virou cardiologista? Virou esteira elétrica? Vá testar coração de torcedor na casa da zorra velho, não no Canindé, nem em Pituaçu…pqp…aquele passe de calcanhar pra Jones…. A torcida toda ficou “na bruxa” com ele depois do lance. Sorte que se redimiu, com a colaboração de Dida e uma aparição salvadora de Diones, o anjo mau. Maltrata a torcida em 80% das partidas e aparece pra decidir na hora do sufoco. Depois Elias e o próprio Souza continuaram com a saga de gols perdidos, deixando tudo mais “emocionante” até o final. Final de uma partida ruim, um jogo que ninguém fez por merecer vencer, mas que teve o Bahia um pouco superior. Resultado kilômetros melhor que o futebol para conquistá-lo, mas o que importa é o resultado mesmo . Ponto pra festa da torcida do Bahia no Canindé. Fez o campo ficar neutro, pois se tinha pressão da torcida Fabulosa de um lado, a tricolor do outro pressionava todo mundo que aparecia por lá. Juiz mesmo tomou pilha o jogo todo. E a barulheira na hora do gol foi sensacional. Tudo bom, menos a bola jogada…mas no final isso é o que menos importa.
Torcida tricolor no Canindé (foto: Cássio Melo (rá!!))
Algumas observações:
Lomba salvou umas bolas de maneira esquisita, mas salvou. Ensaiou um lance a lá goleiro Saulo, do Sport, semana passada, mas não tinha ninguém por perto da Lusa pra aproveitar. Foi seguro, apesar de não ser lá tão exigido.
Neto começøu participativo, mas depois ficou tímido…andou vacilando em alguns lances, mas teve dificuldades com a forma errada que Jones corria e também com a falta de movimentação geral do Bahia.
Lucas Fonseca teve bastante trabalho e foi preciso nas suas intervenções. Não senti falta de Danny Morais.
Titi foi bem no geral, mas ensaiou “enterrar o baba” duas vezes. Precisa de mais atenção com suas saídas de bola.
Jussandro foi o mais fraco do time. Não foi bem no ataque e sua fragilidade defensiva foi o ponto fraco do time, onde a Portuguesa mais tentou fazer gol.
Fahel foi discreto, mas muito eficiente, principalmente no segundo tempo. Ainda deu um passe excelente pra Elias, mas esse não aproveitou.
Fabinho entrou pra marcar e dar lançamentos precisos. Foi bem nas duas propostas, apesar do pouco tempo em campo.
Diones continua com sua dificuldade em jogar futebol, mas foi decisivo pro jogo ao chutar forte a bola que Dida deu rebote. Depois, deu outro bom chute e quase se consagra.
Hélder não se escondeu do jogo, mas errou bastante nos passes e precisou se dedicar muito à cobertura de Jussandro. Não foi lá uma grande partida dele.
Gabriel produziu pouco, apesar de chamar bastante o jogo.
Jones me chateia com a sua falta de raciocínio. Até pra coordenar a direção do próprio corpo na corrida ele tem dificuldades. Achou uma bola açucarada no primeiro tempo e foi marcado pelo vento, que o levou pra cima do zagueiro.
Souza decidiu o jogo, mas antes fez uma “pegadinha” de péssimo gosto com a torcida, ao tentar aquele toque de calcanhar pra Jones. Ainda bem que não fez falta.
Elias não entrou mal, mas quando acha uma bola daquelas na frente de Dida, pra matar o jogo e perde o gol, dá ousadia pra torcida pegar no pé.
Jorginho fez o que tinha que fazer. Não contesto sua escalação, nem as substituições. Só acho que ele deve intensificar treino de passes e finalizações, porque a coisa tá feia. (Com o perdão da pretensão de ensiná-lo a treinar). Também acho que o Bahia deveria chamá-lo logo pra uma conversa pra 2013. Independente do que aconteça.
O Bahia abriu o clube dos desesperados para um novo sócio. Fez o convite e a Portuguesa aderiu, entrou de com força na briga pra não cair, e se continuar jogando a bolinha que eu vi ontem, vai pegar o lugar do Sport na zona.
Já o tricolor, jogou pedra em santo, mas garantiu o que interessa: o triunfo. Tem que aproveitar o embalo, melhorar e chegar junto pra vencer o Cruzeiro desfalcado em Minas. É um jogo que vale também um tabu, uma boa oportunidade de vencer uma pedra nas chuteiras tricolores e se preparar pra encerrar as tratativas de rebaixamento nos jogos em casa. Valeu por ver amigos, por estar perto de pessoas queridas, pela festa baiana em terras paulistas, pelo apoio dos corintianos quando nos viam com a camisa do Bahia, pelos três pontos, por rever meu irmão e amigos, pela farra no metrô, na volta, pela farra no carro, que estava no shopping, também na volta. Valeu por tudo isso, só não valeu a bolinha que o time jogou. Essa alegria foi substituída pela tia da McDonalds, mãe do tricolor que nunca veio na Bahia. Ela me reforçou a ideia de que é o Bahia que nos escolhe, tem que ter DNA guerreiro pra torcer por esse clube. Em troca, eu só queria escolher o presidente…mas isso é conversa pra outra rodada. Que a agonia acabe antes. E logo.
Abraço.