Bola dividida é do Bahia

(foto: Will Vieira)

(foto: Will Vieira)

Eu ando às favas com o Bahia. É inegável a “broxada” que o time me deu com as posturas em campo diante de Ceará, ABC e Itabaiana (os três últimos jogos do Campeonato do Nordeste) e, principalmente, com a “displicência” (só para não ser leviano) no jogo que marcou a reinauguração da Fonte Nova. Aquelas apresentações finalmente me fizeram rever a diretoria autoritária, incompetente e obscura do clube entrando em campo e com isso eu perdi completamente a vontade de ver algo bom acontecer com aqueles caras, todos eles, inclusive os que calçam chuteiras, por absorverem o, no caso malígno, “espírito das coisas”.
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Dia de Trabalho

Bahia caminha pra final. (Foto e legenda de Will Vieira)

Bahia caminha pra final. (Foto e legenda de Will Vieira)

BAHIA 2×0 JUAZEIRO
Campeonato Baiano – Semifinal – Jogo de Ida

No Dia do Trabalhador, não teve jeito. Depois de me dar “folga” (e também para você, já que acabaria escrevendo o mesmo lenga-lenga de sempre) no BaVi do último domingo, ficando longe do estádio, os dias passaram rápido e nesta última quarta-feira eu já me vi de novo no meio do questionamento: “Ir ou não ir à Fonte Nova?”

Como imaginei um jogo vazio, com todo mundo desmotivado e como eu mesmo ando meio anestesiado a ponto de não me importar muito com o que vai acontecer em campo, eu pensei em ir. Porém, exatamente pelos mesmos motivos, eu achei que ficar em casa e assistir Barcelona x Bayern de Munique pelas semifinais da Champions League era mais jogo (literalmente) do que ir à toa perder meu tempo assistindo um jogo modorrento, ruim tecnicamente e cujo resultado não ia me trazer qualquer sentimento relevante. ” Esse Bahia merece minha presença lá?” “Mas e se eu, com o TOB, não vou incrementar a renda, será que eu estou fazendo diferença no borderô?” ” E se eu conseguir passar raiva de novo?” ” E se o Barcelona faz 5×0 no Bayern, com 4 de Messi e eu deixo de presenciar (pela telinha quadrada da TV) esse feito histórico?” Bom, lembrei de um argumento bem interessante pra me fazer ir pro jogo: o TOB está vencendo dia 08 de maio, eu não pretendo renovar por conta de tudo que sabemos sobre a administração desse clube de Potita, eu ainda não vi o Bahia vencer na Arena Fonte Nova…vou ver alguns amigos…(essa desculpa é sempre boa, porque só vai deixar de ser pertinente se os amigos deixarem de ir) …enfim, eu fui. Para escrever depois.
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Eu conto uma novidade

Estava tão confortável no jogo que, mesmo o Bahia se esforçando, eu não me arrependi de ir.

Estava tão confortável no jogo que, mesmo o Bahia se esforçando, eu não me arrependi de ir.

BAHIA 0×0 BAHIA DE FEIRA
7ª rodada – segunda fase – Campeonato Baiano 2013

Eu não ia pro jogo. Eu juro que eu não ia. (Ok, quem jura mente). Mas eu não ia mesmo. Ontem estava fora de cogitação sequer cogitar sair do trabalho 20 minutos antes do horário, pegar o bendito trânsito soteropolitano para ir à Fonte Nova. Se não bastasse a minha absoluta desmotivação pelo futebol do time, pelos jogadores do time, pelo técnico do time, pela maior torcida organizada do clube e pela direção do clube, ainda rolava uma chuva digna de todas as lágrimas tricolores caindo juntas para me convencer a ficar em casa. Assim, não tinha mesmo como pensar em ir ao estádio. Só que eu fui. E ainda gostei do que vi.
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Um doce pra distrair as crianças

Olha lá, mais um gol aos 49... (foto: Will Vieira)

Olha lá, estamos invictos… (foto: Will Vieira)

BAHIA DE FEIRA 2×2 BAHIA
3ª rodada – Campeonato Baiano – 2ª fase

Foi a primeira vez que vi um jogo inteiro do Bahia desde a quarentena e a sensação que eu tenho é que todos esses dias de treino não acrescentaram muito ao futebol da equipe. O time que foi a campo, contra o Bahia de Feira, no último domingo, pouco evoluiu em relação ao desempenho daquele horroroso jogo contra o Itabaiana, em Sergipe, na despedida da Copa do Nordeste.

O Bahia de Feira até tem um time frágil, mas a motivação parecia ser dobrada em relação aos jogadores da capital. Assim, pressionando a saída de bola e até tentando trocar passes (ignorando a falta de qualidade do gramado do Joia da Princesa), o campeão baiano de 2011 não deixava o Bahia jogar, abafava a saída de bola e forçava o time de Jorginho a fazer lançamentos quase sempre improdutivos, saindo dos pés dos zagueiros para os distantes atacantes. O meio de campo do time de Feira marcou forte e numa posição adiantada, dificultando muito os trabalhos para um tricolor que já parecia cansado desde o início.
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Razões para acreditar…

O torcedor, mais uma vez, não está sendo atendido.
(foto: Will Vieira)

Tem uma marca de refrigerante que até tenta, mas nem ela consegue me motivar com relação a algumas coisas, principalmente com relação ao Bahia. Pior que sou supersticioso e por mais que eu tenha noção que o principal fator de decisão no futebol é a competência, eu não consigo abstrair determinadas situações do meu juízo. Uma delas é que desde o final do ano passado eu tenho percebido semelhanças (astrais e nem tanto astrais assim) entre o Bahia de 2002/2003 e o Bahia de 2012/2013. Além de ter os Guimarães na presidência e o inexplicável Ruy Accioly zanzando pelos corredores, uma série de associações com o biênio que iniciou a era das trevas do Bahia, há 10 anos, me soam familiares também agora. Algumas podem ser impertinentes, exageradas, incoerentes, etc, mas vejamos, pelo menos como curiosidade: Continuar lendo

Análise Cu de Foca – Frustração Ingrata

:: Por Cassio Melo ::

VITÓRIA-BA 0×0 BAHIA – 1º jogo final – Campeonato Baiano 2012
Quando terminou o Bavi, exatamente na hora que o juiz pegou a bola e apontou pro meio campo, eu, lá no Barradão, senti uma certa frustração. Talvez tenha relação com o fato do juiz encerrar o jogo em um lance de ataque do Bahia, talvez por eu ter visto um jogo ruim tecnicamente, que o Bahia poderia ter vencido, ou talvez eu tenha lembrado que foram duas horas de engarrafamento indo pro estádio, algumas vezes queimando a embreagem do carro, mais duas horas em pé, algumas vezes na ponta do pé, dentro do estádio (com espaço apertado para a quantidade de gente que tinha lá), e já imaginava, depois de ficar uma hora preso na “jaula” dos visitantes, o “belo” engarrafamento da volta, depois uma paletada leve na saída, sem ver nenhum “golzinho” do (ex?) melhor ataque do Brasil. É isso… bateu esse sentimento de “zorra, que merda”, ao apito final.

Mas logo isso passou. Passou porque lembrei que o Bahia, mesmo com uma partida sem inspiração, está 90 minutos mais perto do título baiano. Passou porque lembrei das defesas de Lomba, porque me toquei que o tricolor superou o “trecho” mais difícil desse caminho rumo a taça sem perder a vantagem e agora, em Pituaçu, tem todas as condições de confirmar essa conquista. E passou porque ficar esse tempo todo lá “preso” no estádio depois da partida faz a cabeça esfriar mesmo,rs.

No jogo, eu esperava mais das duas equipes. No Vitória lamentei (como torcedor do Bahia) a ausência de Renan, que tem pinta de goleiro de playground, e a presença do eficiente Douglas. Achei os laterais rubro-negros fracos, mas o miolo de zaga foi bem. O meio teve força defensiva, mas muitos erros de passe( depois que Michel se machucou, achei que o meio deles se fragilizou um pouco na marcação). Giovanni eu achei sumidão. No ataque, o limitado Neto Baiano tentando se enroscar com os zagueiros e conseguir faltas ou pênaltis e Tartá sassaricando, principalmente nas costas de Madson, era o que parecia levar mais perigo. No geral, considerando ainda partida que o Vitória fez contra o Botafogo, eu esperava mais. Mas, tirando os últimos 15 minutos de jogo, o rubro-negro não incomodou muito o Bahia. E, considerando a quantidade de passes que errou no primeiro tempo, ainda deu bastante oportunidades para os visitantes usarem o contra-ataque.

O problema é que o tricolor entrou em campo com um jogador a menos. Desculpe o radicalismo, mas eu não acho que o problema de Zé Roberto é falta de ritmo de jogo. Para mim, falta condição de jogo, e a distância entre as duas coisas é imensa. Pô, isso é decisão de campeonato, e continuo sem considerar a conta “experiência de Zé x Falta de condição de ficar em pé” positiva para o Bahia.
Me dava desespero ver que, em escanteios e faltas perto da área, a favor do Vitória, o homem que poderia puxar em velocidade os contra-ataques do Bahia era Zé Roberto. E olhe que ele até fez uma boa jogada ao final do primeiro tempo, mas isso a muito custo. Falta força, explosão, noção de distância, espaço, disposição. Não dá pra ele entrar numa decisão pegada, tão importante para o clube, sem ter condições de jogar. Para mim, esse foi a bola fora de Falcão.

Gostei da escalação de Hélder, achei que ele, Diones e Fahel congestionaram bem a entrada da área e deram liberdade aos laterais. O problema é que Madson estava “preso”, seus avanços foram mais tímidos (principalmente no primeiro tempo), e Gerley não consegue ir na linha de fundo de jeito nenhum. Mesmo assim, o time esteve bem seguro, e o miolo de zaga cresceu de produção em relação ao jogo do Conquista, por exemplo. Acho que a escalação de um meia como Morais ou até de Vander, no lugar de Zé Roberto, daria ao Bahia boas condições de marcar gols. Hipoteticamente, pelo menos.

Porque faltou tranquilidade com a bola nos pés e aí a culpa não é só de Zé Roberto. O Vitória não pressionava a marcação, esperava o erro do Bahia e o Bahia, como tem a vantagem, não precisaria se apressar e acelerar jogadas. Mesmo assim, o tricolor, impaciente, forçou em lançamentos para Gabriel e para Souza, além do absurdo de fazer isso com o claudicante Zé, para ele disputar com a zaga. Essa iniciativa do Bahia arriscava o jogo quando os rebotes dessas jogadas ( que em sua maioria não tinha sucesso) caiam em pés rubro-negros.

No segundo tempo, o tricolor trocou mais passes curtos, diminuiu a ansiedade, até se aproximou mais da área adversária, criando boas chances com Vander e Souza, numa bela jogada de Mádson, mas também viu o rival criar oportunidades mais claras, como nas cabeçadas de Dinei e Tartá (essa, milagrosamente salva por Lomba) e, nos minutos finais, na finalização do mesmo Tartá, que fez de Lomba o personagem do jogo. No geral, o equilíbrio persistiu, e esses lances citados resumidamente foram os que deram alguma emoção ao clássico. Não faltou disposição, concentração e raça nos dois times, mas faltou bola e ousadia. O Bahia parecia mais consciente de sua vantagem, se defendeu e acabou conseguindo mantê-la. O Vitória, principalmente com Ricardo Silva, não sabe jogar atacando.

Algumas observações:

Lomba foi o melhor do jogo, não pela quantidade de intervenções, mas pela dificuldade das suas poucas defesas e da segurança mostrada quando exigido.

Madson fez uma boa jogada no segundo tempo, mas achei ele mais tímido no ataque do que normalmente. No final do jogo pareceu cansar e Tartá cresceu (lá ele) em suas costas.

Rafael Donato tomou conta do “polvo” Neto Baiano. Ganhou todas pelo alto, e só não teve uma atuação considerada impecável porque quase fez um gol contra no primeiro tempo e pelo último lance de perigo do jogo, quando hesitou em cortar a bola e Tartá, ao mudar rápido de direção, deixou-o a ver navios. Lomba que salvou.

Titi foi bem. Fez uma partida vigorosa, firme, segura.

Gerley ainda não mostrou que sabe cruzar. Nas raríssimas vezes que chegou perto do lado da área (porque linha de fundo mesmo, parece impossível), ele cruzou mal. Conta a seu favor o vigor físico e a disposição para recuperar bolas.

Fahel ainda erra muitos passes no meio, mas sua função é primordial para a equipe. Ele faz o “trabalho sujo”. Com muito cuidado ( se é que se pode falar disso com ele), fez faltas comuns de jogo, importantes para frear possíveis contra-ataques do adversário. No geral, achei boa a sua participação.

Hélder fez uma partida consistente e, na medida do possível, deu liberdade a Gerley, que não aproveitou de novo.

Diones fez o dele bem, sem muito brilho, mas eficiente. Cobriu a direita pra Madson e se aproximou também da área adversária para trocar passes.

Gabriel foi o mais acionado do time, mas achei que individualizou algumas jogadas desnecessariamente. Ainda teve a oportunidade de fazer um belo gol, mas hesitou em finalizar ou passar a bola para Souza, no primeiro tempo. Sua atuação foi destacada, mas abaixo do que vem rendendo.

Zé Roberto é difícil comentar sem parecer algo pessoal. Repito o que escrevi em um post anterior: Fui um entusiasta da sua contratação pelo Bahia, mas ele não tem condição de jogo ainda. Ele me lembra os “célebres” pernas presas Luciano Baiano e Emerson Cris. Jogadores de “baba” que o Bahia levou para o profissional entre 2007 e 2008.

Souza não foi bem. Pouco acionado, isolado, tentou algumas jogadas quando teve oportunidade, mas ficou devendo, assim como toda produção ofensiva da equipe.

Vander entrou no lugar de Zé Roberto e, em 1 minuto de gramado, fez uma jogada fantástica, aproveitando um corredor do meio campo rubro-negro. Seu chute provocou grito de gol em muitos tricolores perto de mim. Faltou pouco para um golaço consagrador (consagrador, pelo que conheço da torcida do Bahia).

Achei que faltaram Morais e Júnior entrarem duranto o jogo, para dar fôlego ofensivo à equipe, mas a entrada de Danny Morais foi inteligente, já que, com Dinei e Neto Baiano sendo forçados em bolas aéreas, o Vitória cresceu e quase tomou a vantagem. Foi importante perceber como Falcão preparou o time para jogar a decisão. Foi mais consciente, focado, seguro. Fez o que prometeu: jogou no Barradão como se a decisão fosse em um jogo só. Segurou o empate e manteve o título a caminho do Fazendão. O Vitória pode ser o único time que o Bahia não vai vencer no Baianão desse ano, mas isso pouco importa se a taça vier. A ansiedade é grande, acredito que Pituaço ficará pequeno para o próximo domingo. O Bahia está mais perto do que nunca de quebrar o incômodo jejum. E espero que seja a quebra do maior jejum que o clube viveu e vai viver ao logo da sua vida. Minha semana começou na segunda, mas todo dia pra mim é domingo. Não penso em outra coisa que não seja soltar o grito de campeão. E refletindo de novo, ao escrever o texto, percebo como aquela frustração foi mesmo ingrata. Há mais de 10 anos que, depois de um jogo, um título não fica tão perto do Bahia.

Abraço

Curitiba, a cidade mais (pé) quente do Brasil! – Bahia 1 x 0 Conquista

Prólogo

Desde que voltei de Angola, em 2009, não perdia um jogo do Bahia em Salvador. Até viajava pra outras regiões atrás do Esquadrão. Mas, por causa do casório do tio de minha namorada, eu estava na fria Curitiba, distante mais de 2.300km da 1ª capital do Brasil.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 16h, 14º C.

Após fazer um esquente no Bar do Alemão, eu e meu irmão Paulo, que mora no Paraná, procurávamos desesperados por um link na internet que estivesse transmitindo o jogo e quebrasse um galho diante da incompetência do PFC, que foi incapaz de passar a semifinal do campeonato baiano. Depois de muito penar, finalmente achamos um e, após fechar 5.873 pop-ups, ficamos vendo a partida tomando umas Stellas, cobertos com edredons e com o manto sagrado.

Salvador, 29 de abril de 2012, 16h, 30º C.

O caldeirão fervia: 19.358 tricolores coloriam Pituaço, outros milhões uniam-se à corrente mundo afora. O Bahia fez um bom 1º tempo, mas foi eclipsado pelo excelente goleiro Rodolfo, o cara fez defesas espetaculares! O que frustou a expectativa de todos de que o melhor ataque do Brasil iria se impor diante do time do interior. Mas a cabeça de todos pensava logo no jogo contra o Remo: 0×0 no 1º tempo e 4×0 no 2º. Era só abrir a porteira que viria uma estrondosa goleada…

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h, 12º C.

Ainda embaixo das cobertas eu e meu irmão continuávamos quebrando uma gelada. E lá em Curitiba a gelada não esquentava nunca, mesmo fora da geladeira, coisas da tecnologia chamada “frio da porra”! Minha cunha Lu também estava no bolo, pois começou a sofrer pelo Bahia, sob influência de meu irmão. Minha namorada estava ausente, foi pro churrasco de família pós-casório (bala, por sinal). Até topei sair de SSA em plena semifinal, afinal, iivisitaria meu irmão também, mas deixar de ver o jogo do melhor time do mundo são outros 500…

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h, 29º C.

Começava o 2º tempo. O Bahia deu uma caída, ainda criou algumas chances de gol, porém, as mais perigosas foram as do Conquista.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h21, 11,5º C.

Bebíamos mais Stellas.

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h32, 28,5º C.

Pantera, atacante conquistense, sozinho, após um contra-ataque, acerta a trave esquerda de Lomba, no rebote a bola ainda sobra pra ele novamente… Que chuta pra fora, rente a trave direita do nosso arqueiro.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h32, 11º C.

Silêncio. Frio. Frio na barriga. Penso no monte de pés-frios que devem ter ido pra Pituaço… isola, porra! Quebro o gelo com a seguinte frase: os Deuses do Futebol vão punir este FDP!

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h42, 28º C.

A turma tricolor cantava sem parar durante longos minutos, a voz do campeão ecoava empolgada pelo estádio, apesar dos pesares. No meio dos cânticos, Lomba ouve do povo um clamor, para que ele fosse pro ataque num escanteio. Ele quase consegue cabecear, mas novamente o goleiro adversário leva a melhor e puxa o contra-ataque. Com o gol vazio o jogador rival chuta… Naquele momento a nação ainda vibrava. E ninguém nos vence em vibração. Tiro de meta pro Baêa.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h42, 10º C.

Suspirávamos aliviados. A bola saiu, nossos corações quase fizeram o mesmo. E ainda havia tempo. Pra qualquer torcedor do Bahia sempre há tempo antes que o juiz apite o término do embate. Ainda brinquei no Twitter: coloca Raudinei, Falcão! Em 1994 eu estava. Bora, Baêa!

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h44, 100º C.

Ironicamente, o melhor ataque do Brasil precisava desesperadamente de um único gol pra não jogar fora todos os anteriores. Foi então que o anjo Gabriel cruzou uma bola na área. Se em 94 Advaldo NBA resvalou, de cabeça, uma bola que começou nos pés de Jean e acabou nos pés de Raudinei, em 2012 Donato NBA foi mais efetivo, cabeceou mansamente e graças a Deus, desta vez, ninguém ousou tocar na bola! Era mais um gol histórico do Bahia. A vantagem, após 18 anos era nossa. Os vice pira.

Os mesmos 19.358 tricolores continuavam colorindo Pituaço, pois a nação nunca abandona, independente de divisão ou títulos. Os milhões de privilegiados mundo afora sempre irão se revezar dentro dos estádios, pois é impossível construírem algum templo que caibam todos nós.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h44, 100º C.

Eu, Paulo e Lu comemorávamos feito loucos! Suávamos vendo o caldeirão ferver. Porra de frio, o Baêa esquenta a alma! Abri a janela e larguei um BORA, BAÊAAAAAAAAAAAAAA, que foi ouvido em Salvador! Lembrei também do incêndio no vestiário tricolor que rolou esse ano e no ano do nosso último título. Parece que está escrito nas estrelas. E estrela é o que a gente mais tem. BBMP!

Epílogo

Acabou o feriadão. Voltei do sul. Minha mãe me contou que ela e minha tia assistiram a partida. Vibraram com o gol! Querem ir pro Bavice. Sorri e falei que foi emocionante mesmo. Ela falou que foi desesperador! Que o coração dela não aguenta mais esse tipo de coisa. Sorri de novo. Falei que torcedor do Baêa vive passando por isso. E ainda demos sorte, tivemos um feriado pra descansar e nem jogaremos durante a semana. Nosso coração merece esta pausa. Ao menos até domingo… Vai pra cima deles, Esquadrão!

ST

P.s: dia 13 de maio meu irmão e mais uma porrada de tricolores que conheço viajarão pra Salvador pra passar o Dia das Mães com elas. Por coincidência, é o mesmíssimo dia da grande final do Baianão! Pelo visto, este ano teremos o almoço do Dia das Mães mais corrido dos últimos tempos… Mas mães entendem. E nós as amamos por essas e outras coisas. ;-)

Análise Cu de Foca – Bahia 1 x 0 Conquista

Nossa Senhora Tricolina jogou muito.

:: Por Cássio Melo ::

Já Morais, ficou devendo... (Foto: Felipe Oliveira)

BAHIA 1×0 VITÓRIA DA CONQUISTA
2º jogo – Semifinal Campeonato Baiano 2012

32 minutos do segundo tempo, 0×0, o Bahia encontrando imensas dificuldades para furar o bom bloqueio defensivo do Vitória da Conquista. Ansiedade tomando conta de quase todo o estádio de Pituaçu. Maurício Pantera, atacante do time alviverde, recebe cruzamento, livre, de frente para Lomba. De onde eu estava, vi o goleiro tricolor parado, sem reação. A bola passou por ele e beijou a trave. Do meu ângulo, já imaginava ver a redondinha lamber a rede. Mas ela foi para fora do gol. Voltou para Pantera. Agora não tem jeito. Gritos agudos das mulheres no estádio era o que se podia ouvir, gritos de medo, de desespero. Pantera pega o rebote com o gol aberto e chuta. Pra fora!! Silêncio de alívio, quebrado por reações emocionadas. Ouvi um grito: “Esse jogo é nosso”. Um amigo, João Victor, me puxa pelo braço e manda eu olhar para o céu para agradecer. Eu tive essa sensação também. Aquela bola não deixou de entrar à toa. E o futebol me deu mais um exemplo do porque é tão apaixonante.

Difícil analisar friamente porque o Bahia passou à final no último domingo. Mas acho que dá para entender porque as dificuldades ficaram maiores do que se imaginava.

A começar pela escalação. Vou repetir que gosto de Falcão, que acredito nele como técnico do Bahia, mas não posso deixar de criticar a ausência de Madson no banco de reservas. A opção de Coelho como titular, apesar de discordar, entendi. Um jogador eficiente na bola parada, experiente, importante para o momento decisivo. Mas Madson tinha que estar no banco, tinha que ser opção. O que aconteceu com Coelho durante a partida não foi inédito, era possível prever e por ter que improvisar Fabinho na posição, o Bahia perdeu muito do seu poder ofensivo, do lado do campo que mais vem rendendo, o direito. De quem é a responsabilidade disso?

Problemas de conclusão de jogadas. Não acho que o Bahia fez uma partida ruim, mas creio que o primeiro tempo foi muito melhor que o segundo. O início de jogo foi muito afobado, algo que vem acontecendo com frequência e preocupa. No primeiro e no segundo tempo o Bahia deu chances ao time do interior, logo no início. Precisa ter atenção com esses momentos iniciais da partida. Lembram dos jogos contra o Remo, em Pará (com gol de pênalti) e em Salvador (com chance clara de gol)? Lembram do Bavi do Barradão, quando sofreu dois gols em 7 minutos? Acho que o Bahia precisa ficar mais ligado nos inícios de jogo. Muitas decisões de partida acontecem nesse período, não só no final. Atenção é fundamental. Bom, tirando esse momento em que o jogador do Vitória da Conquista chegou atrasado na cara de Lomba, com segundos de jogo, o Bahia não passou mais nenhum perigo no primeiro tempo. Jogou em cima do adversário o tempo inteiro, criou boas chances e fez do goleiro Rodolfo, do Conquista, o personagem do jogo. Gabriel, era o principal articulador, mais uma vez, mas o lado esquerdo, mesmo ainda discreto, apareceu mais, com Gerley, Lulinha e Morais (apesar desses dois últimos terem feito uma partida muito ruim). Souza deu bons passes, Diones se aproximou bem e até Fabinho, improvisado, deu suas subidas ao ataque e virou boa opção. O Bahia poderia ter feito o gol, mas não fez. Faltou finalizar melhor, apenas.

Ansiedade. No segundo tempo, outro início afobado, chance para o time rival, mas com uma diferença para a primeira etapa: O Bahia não conseguiu, depois do início amalucado, chegar com tanta força ao ataque. A ansiedade ficou evidente e o nervosismo, aliado às jornadas ruins de algumas peças do time e à consistência defensiva que Elias Borges, técnico do Vitória da Conquista, deu ao seu time no intervalo, fizeram o jogo ganhar contornos dramáticos. O lado esquerdo do Vitória da Conquista até tinha um espaço, mas Fabinho não é lateral de ofício e para chegar ao fundo era complicado. A “solução” era jogar bolas do bico da grande área buscando os atacantes tricolores, mas defesa e o goleiro alviverde rebatiam com eficiência e seguravam o placar com certa tranquilidade. Percebi jogadores do Bahia nervosos, tensos e nessa hora, vi um exemplo lindo da torcida do Bahia. Não era escanteio, não era pênalti, ou falta perto da área, era o Bahia precisando da torcida e ela “caiu” pra dentro. Em um espetáculo de incentivo, mesmo com a angústia do gol não sair, a torcida tricolor cantou, apoiou e não deixou a poeira baixar. Fez a diferença e talvez uma evocação. Porque, a partir daquele momento, tive a convicção de que Nossa Senhora Tricolina entrou no jogo. Primeiro, com o lance de Pantera, descrito no início do texto. Depois, com Lomba fora do gol, no desespero, e a meta escancarada, o jogador do Conquista finalizou errado. E por último, pela cabeçada manhosa, fraca, chorada, de Rafael Donato, aos 44 minutos do segundo tempo, que passou pelo paredão conquistense e morreu mansa no canto direito do gol alviverde. Êxtase, euforia, emoção. Naquele momento o Bahia se classificava à final e fazia de “Roberto Santos”, uma boa sugestão de nome para clínica cardiológica. Também fazia de Nossa Senhora Tricolina, a melhor em campo. Ela, que não ganhou caixa de cerveja, nem amortecedor, nem um almoço em churrascaria da cidade, mas ganhou a devoção de mais alguns tricolores, está convocada para os próximos dois domingos. Pode ficar até no banco, descansando, pois torço para que a gente não precise dela, mas é fundamental que ela vá pro jogo. E que bom que isso não depende de Falcão, Angioni, departamento médico ou presidente. Depende da torcida chamar, como fez ontem.

Algumas observações:

Lomba foi pouco exigido, mas passou segurança. Até a hora de resolver tentar cabecear no ataque, com “apenas” 42 minutos do segundo tempo e deixar o gol aberto, quase levando na volta da bola. De qualquer forma, a entrega dele ao jogo foi de se ressaltar, era um dos mais envolvidos com a “causa”.

Coelho bateu uma boa falta e, apesar de pesado, parecia disposto pro jogo, mas sua contusão, mais uma vez, atrapalhou os planos. Não dá pra confiar nele.
Fabinho entrou e surpreendentemente foi para a lateral direita, deixando Diones no meio mesmo. Sua participação foi positiva, pois ele, mesmo com as limitações ofensivas que tem, se apresentou pro jogo e acabou sendo um dos jogadores que mais participou da partida. Ponto pra ele.

Titi ainda não veio do mesmo jeito para 2012, apesar de sua raça continuar a mesma. Tem errado muito e a dupla dele com Rafael Donato ainda inspira cuidados para Falcão avaliar e desconfianças por parte da torcida.

Rafael Donato virou herói como autor do gol. Sua dedicação também é clara, assim como a insegurança que ainda passa ao formar zaga com Titi. Difícil avaliar se é um problema deles ou de posicionamento dos volantes, que não dão cobertura, mas é fato que vivem expostos e o miolo de zaga ainda é frágil.

Gerley não comprometeu, apareceu com frequência do lado esquerdo, mostrou um excelente preparo físico, principalmente ao recuperar uma bola no final do jogo que, se passa, criaria problemas para o Bahia, mas faltou a ele companhia e, em alguns momentos, objetividade com a bola. Ainda precisa mostrar qualidade pra ser titular do Bahia, mas de qualquer forma, me parece mais útil que William Mateus e que Gutierrez.

Fahel fez o dele “caçando” no meio campo, mas errou muitos passes. É um perdigueiro, mas a cabeça-de-área do Bahia ainda é vulnerável.

Diones finalmente deu combate efetivo e tomou bolas, papel primordial dos volantes. Ainda apareceu, no primeiro tempo principalmente, como boa opção para jogadas do lado direito e quase fez um bonito gol da entrada da área.

Gabriel foi, de novo, novamente, mais uma vez, o principal jogador do Bahia na articulação de jogadas. E ainda deu o passe para o gol de Donato. Cansou um pouco no segundo tempo, mas foi muito importante para o time.

Morais errou demais. Acho que um dos piores jogos dele pelo Bahia. Teve uma chance excelente e não conseguiu marcar ( tudo bem que o goleiro teve um reflexo monstro, mas não é gol que se perde). Pior dele estar mal foi ter que depositar esperanças em Magno. O baiano emprestado pelo Vasco entrou cheio de gás, mas continuou sem dar força ao setor de criação. Cisca, corta para o lado errado, sacode os cabelos, mas de efetivo, pouca coisa sai daqueles pés. Essa posição do Bahia está carente.

Lulinha, que mostrou disposição além da conta, errou além da conta também. Partida ruim, que ainda foi premiada com um cartão amarelo que o tirou da primeira final.

Souza foi bem no primeiro tempo, sumiu no segundo. Mas está voltando de contusão, não imaginava algo diferente disso.

Júnior entrou sem acrescentar muito ao ataque do Bahia.

O resultado foi igual a uma goleada. O Bahia não encheu os olhos em mais uma partida importante, mas venceu e passou. No final das contas é isso que todo torcedor quer. Espero que essa classificação sofrida sirva de motivação. O Bahia chegou para decidir o Campeonato Baiano em casa pela primeira vez em 18 anos. E, mesmo com todas as dificuldades, do futebol inconstante apresentado aos desfalques que ainda atrapalham, do adversário ser um rival, à ansiedade de acabar o jejum, o Bahia chegou à final com jeito de campeão. Amém.

Abraço.

Análise Nariz, ops, BOCA de Dragão! vice da conquista 1 x 0 Baêaço!

Fala, nação! Antes de mais nada gostaria de informar que esta análise mudou de nome, pois, quando escrevi a 1ª, estava tão de cabeça quente que nem me toquei que o fogo do dragão sai pela boca e não pelo nariz…

Por outro lado, pelo nariz sai a meleca e o tricolor hoje foi neste nível de excremento. Baêa jogou meeiro pra caraio! Superdependente do anjo Gabriel e Showza (espero que volte logo), as únicas unanimidades do elenco. No jogo de hoje o filho do ex-presidente Lula também foi bem e eu até fiquei confiante que o lateral novo, o tal de Geléia, será útil mais pra frente.

Já Piro, digo, Ciro, a cada jogo que passa, parece que só rende em time pequeno, como o ex-port. Antes do jogo ele tuitou “hoje é dia de rock, bebê”, só que o sacana esqueceu que ele não é roqueiro (se fosse, seria um daqueles desafinados que quando sobem no palco só são bons mesmo na hora de quebrar a guitarra).

Falcão me preocupou com a quebra de 2 tabus, perdeu pela 1ª venda história um jogo oficial pro Remo e agora perdeu pro time conquistense pela 1ª vez desde 2009. Por sinal, o adversário é um freguesão da porra, jogamos umas 15 vezes antes e só havíamos perdido uma. Espero que, assim como foi contra o Remo, a quebra do tabu sirva de motivação pra golearmos no jogo de volta.

No pós-jogo destaco 2 merdas. A 1ª foi Falcão falar da arbitragem. Vá lá que todo juiz é FDP, mas nem vi nenhum lance capital que o xibungo tenha errado. Ele sim que pode ter errado nas alterações ou já na escalação inicial. A 2ª merda é os jogadores colocarem a pressão da classificação em cima da torcida. Porra, se saiam, nisgraça! Na hora de receber milhares de reais por mês, de andar de carrão, pegar Maria Chuteira e o escambau é com eles, mas na hora que o bicho pega jogam a galinha pulando pra cima da gente!

Só de raiva não irei pra Pituaço domingo, faltarei pela 1ª vez desde 2009, quando fui morar na África (mentira da porra, não vou mesmo é porque estarei viajando, mas se estivesse aqui, iria com certeza!). Por falar em viajar, quarta teremos uma partida muito mais importante que a semifinal do Baianão! Jogaremos contra a Lusa pelas oitavas da Copa do Brasil e temos obrigação de atropelar, pois o adversário foi rebaixado no Paulistão e sua torcida será minoria no Canindé, pra variar.

Bom, galera, acho que é só. Se esqueci de algo, com certeza vocês irão lembrar. Não se acanhem: metam a boca aqui embaixo…

ST