O Bahia para quem não tem porra nenhuma com o Bahia (por um Atleticano)

Esse blog é velhão. De 2007. Vacas magras, “cerei c”, pá. De lá pra cá subimos 2 vezes, fomos campeões baianos depois de 11 anos, enfim, muita coisa se passou. 2007 foi uma época ruim, mas resolvi resgatar uma sessão legal que tínhamos aqui: O Bahia Para Quem não tem Porra Nenhuma com o Bahia. Tivemos texto de um flamenguista e outro de um são paulino. Tudo freguês. Como hoje teremos um embate contra o simpático Galo, time que já fizemos grandes jogos, pedi um texto pro estagiário daqui. E até que, pra um estagiário, o sacanildo mandou bem. Enfim, tirem suas conclusões aí embaixo.

 

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Sou atleticano. E se você pensou logo naquele falso do Paraná, ou naquele coitadinho de Goiás, você precisa rever seus conceitos futebolísticos. Rubro-negros são a escória do nosso baba, você sabe. Aprenda de uma vez por todas: só existe um Atlético nesse Brasilzão de meu Deus. Colocar um “tracinho MG” depois do nome é igual a tirar a camisa depois do gol – não tem necessidade. Time pequeno é que precisa disso, por isso a mídia nacional insiste em falar Vitória da Bahia.

O Galo é gigante. É muita grandeza pra um Mineirão só. E quando encontra pelo caminho outro Golias como o Bahia, a porra incha, como se diz aqui.

Galo e Bahêa são entidades que coexistem em um conflito mítico. Quer fazer um teste? Pergunte a um torcedor do Galo quem foi o primeiro campeão brasileiro. Depois, pergunte a um torcedor do Bahia. Observe que as respostas vão divergir, apesar dessa parecer uma questão exata. Repita esse processo indagando sobre qual das duas torcidas é a mais apaixonada. Depois, sobre qual das duas é mais pontual e presente nos estádios. Depois, sobre qual é maior. Não adianta, é discussão pra cinquenta tardes em Itapuã.

Mas a briga é massa demais da conta. Acarajé, cachacinha e muitas risadas. Sempre foi assim, e foi desse jeito que o Bahêa conquistou um lugarzinho no meu coração alvi-negro. Já até tentei discutir com torcedor do Vitória, mas parece que sem time, sem título e sem tradição a pessoa não tem muito assunto pra bater de testa.

Atlético vs. Bahia é sempre muito especial pra mim. Torço pra Galo ganhar, mas torço pro Bahia dar trabalho. Espero que essas duas nações possam ter dentro de campo o time que realmente merecem a partir de 2012. Porque somos apaixonados, e temos sofrido muito nos últimos anos.

Bora Galo Doido Minha Porra!

Bruno Souri é atleticano, estagiário de publicidade e vocalista da banda Circo de Marvin.

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P.s: e como ele é estágiário tenho que sacanear. Veja o que aconteceu quando seu Galo Doido caiu na Fonte em 2001, Brunão:

Saudades desse Bahia. BBMP!

O Bahia Para Quem não tem Porra Nenhuma com o Bahia (por um Flamenguista)

Olhando os comentários do pessoal que lê o Baheaminhaporra, acessei o link de outro blog bastante interessante chamado espalitandodente.blogspot.com de Paulo Bono. O blog dele não é sobre futebol. É sobre qualquer porra. Os textos são bem legais, divertidos, bem escritos. O sacana é flamenguista, mas parece ser gente boa. Pedi a ele que fizesse um texto para a nossa sessão: O Bahia pra quem não tem porra nenhuma com o Bahia. Ele aceitou.

Da Turma Tricolor.

Sou Flamengo. Minha religião é a flamenguista. Até gosto da Bahia. Mas o amor por um time não tem sotaque nem fronteiras. Sou Flamengo e fudeu. Não sou Bahia, mas gostaria de ser. Queria torcer pelo Bahia. É isso. Queria ser um torcedor do Bahia. Para poder participar das rodas no boteco do Giló. Para ter alguém para sacanear. Até para ser sacaneado. Porque é aí que está a graça disso tudo. Eu queria ser um torcedor do Bahia porque é a melhor coisa que esse time tem. A torcida do Bahia é do caralho. Numerosa. Apaixonada. Verdadeira. Queria torcer pelo Bahia também, é claro, para ir sempre à Fonte Nova, como fui naquele dia, juntamente com Caju, Chatão e Minhas Cores.

O jogo era Bahia contra Barras do Piauí. Terceira divisão. Uma noite de quarta. Tudo para ser deprimente. Mas valeu a pena. Não pelo jogo, mas pela torcida. Pelo clima que envolvia essa torcida.

Começou fora do estádio. Uma espécie de concentração à base de churrasquinho de gato. Gostoso que só a zorra. Chatão foi de cerveja. Minhas Cores, Caju e eu ficamos na batida de gengibre que Minhas Cores preparou no capricho e guardou numa garrafa pet de Coca-Cola. Era uma mesa-redonda prévia. Chatão estava empolgado porque Moré ia jogar. Caju lamentava a ausência de Nonato. Minhas Cores entornava o gengibre. E eu acabava com um churrasquinho de coração de galinha. Um ambiente harmonioso. Tudo de muita classe.

Não posso falar o mesmo do time. O jogo até começou quente. O Bahia abriu o placar. Estávamos na BAMOR. Uma puta torcida que não parava de batucar e fazia aquela porcaria de arquibancada tremer. Vibrei com o gol do Bahia. Vibrei de verdade. Queria que o Bahia ganhasse. Tanto que fiquei puto quando um baixinho arisco e escroto fez o que quis na zaga do Bahia e empatou o jogo. Mas estávamos na Bahia. Estávamos na BAMOR. Tome-lhe batucada.

Não havia apenas tambores. Havia bandeiras. Figas e patuás. Caju puxou o hino. A rapaziada acompanhou. Arrepiava. Havia paixão naquela torcida. Uma puta de uma incondicional paixão. O time não jogava bem. Mas a turma estava ali aos berros. “BÓRA, MINHAS CORES!”, gritava Minhas Cores quase chorando. Era como se, mesmo com o time jogando mal, aquelas pessoas estivessem felizes. Sofriam. Mas era um sofrimento que valia a pena. Não eram as contas do aluguel, nem do Hipercard, não era Brasília, nem a morte de ACM, não era um briefing mal feito, nem a falta de emprego, não era um par de chifres, muito menos um amor de verão. Era o Bahia. Era a paixão pelo Bahia. O que realmente importava na vida.

Por falar em paixão, foi naquela arquibancada que o finado Jorge Bigode conheceu dona Cecília. Gabava-se de ter conhecido sua morena durante a gloriosa campanha de 88. Velho Jorge Bigode. Morreu tem uns dois anos. Ela nunca deixou de vir à Fonte Nova. Devia estar por ali a viúva.

Se dona Cecília estava presente, viu através dos seus óculos fundo de garrafa o Bahia desempatar o jogo. Viu também o Barras empatar novamente. O primeiro tempo acabou por aí. O segundo também. O jogo foi uma merda. Enfim, 50 mil apaixonados e um time que não merece a torcida que tem.

Na saída do estádio, palavrões de todos os tipos. Todos justos, por sinal. Para piorar, ainda roubaram a camisa de Minhas Cores. Quando ele se deu conta, não estava mais pendurada em seu ombro. Minhas Cores abordou o primeiro negrinho que passou com uma camisa na mão. “Devolva minha camisa, seu filho da puta!”. Foi uma putaria para acalmar o coroa. Minhas Cores saiu bêbado e revoltado. Dizia que nunca mais voltaria a pôr os pés na Fonte Nova para ver aquele time jogar. Mas ele voltaria. Com certeza.

Paulo Bono
www.espalitandodente.blogspot.com

O Bahia Para Quem não tem Porra Nenhuma com o Bahia (por um São Paulino)

Outro dia rolou uma discussão foda aqui nas internas do blog sobre qual a imagem que a galera de fora da Bahia tem do Bahia. Seria o Bahia um Coritiba? Uma Portuguesa? Seria o Bahia o Flu de Feira do campeonato brasileiro? Ou tá mais para Jacuipense? Seria o Bahia um México? Ou um Uruguai? Foi tanta dúvida que surgiu a idéia de criar a seção “O Bahia Para Quem não tem Porra Nenhuma com o Bahia”. Vamos pedir aos caras de outras bandas um texto revelando suas impressões sobre o tricolor. Na estréia, quem escreve é o são paulino Estefânio Celestino. Nome estranho e texto idem. Olhem o que é o nosso Bahia para o cara.

Blog não se discute.

Dia desses fui tomar uma cervejola com o Zé (um dos Bahêa aí) aqui em São Paulo. Ah, sim, sou o primeiro leitor dessa porra “não-baiano-protecionista-do-futebol-sem-esperança-nordestino”.
Fizemos nosso pedido ao garçom e, depois disso, o cara só falou do bahia e da porra desse blog.

Pronto, fudeu!!! Agora, além de ter que ouvir que a Bahia é um paraíso natural, de que não se come um bom acarajé em São Paulo, de que ACM tinha seu lado bom, de que Carlinhos Brown não merece vaia e que Caetano Veloso é homem, sou obrigado a ouvir que alguém desse outro continente aí sabe jogar bola. E o pior: que a porra do Bahia é um sucesso. Cacete, nem Milton Neves, a enciclopédia inconveniente ambulante, fala mais do Bahia.

O Bahia é o Globo Ecologia do futebol brasileiro: ninguém vê essa merda!!! É mais fácil lembrar os 11 últimos personagens da Regina Duarte (em ordem alfabética), do que a escalação atual do Bahia. Eu prefiro assistir a sete programas evangélicos na TV, a ver metade de um jogo do Bahia e Bragantino. Se bem que a opção de assistir a um jogo do Bahia por aqui nem existe. Porra, acompanhar jogo do Bahia por aqui só por internet mesmo, e no final da barra de rolagem.

É, e não é que com toda essa incompetência, essa porra de time, segundo o assunto do bar, dá 1000 page views por dia pra este blog? Cacete, tem quem lembre que o Bahia existe. Não bastasse isso, agora o Zé virou torcedor fanático. E se ainda não for o bastante, se juntou a outros loucos e montou este blog do Bahia que, por incrível que pareça e não o bastante ainda, tá fazendo um sucesso insuportável. Não é possível, tem quem goste desse time mesmo.

Cansei de querer entender. Gosto não se discute. Saí do bar antes que o Zé pedisse um torresmo com cobertura de chocolate.