No sábado, como a maioria de vocês, eu só pensava no jogo contra o São Caetano, dada a importância do mesmo. Só o triunfo interessava e iríamos enfrentar um time com 7 vitórias consecutivas. O Bahia vinha de dois resultados positivos, mas, no meu texto sobre Raul Seixas (leia aqui), falei que pra embalar precisaríamos de 3. Algo, até então, inédito neste campeonato.
Desta vez não passou na TV e tive que me contentar com a telinha do computador, mas deu pra acompanhar quase tudo direitinho: a grande festa que a torcida tricolor fazia; o 1º gol do cabeça-santa Jael; o 2º gol de Nadson, um golaço, que quase me levava a loucura pois o sacana demorou pra porra pra concluir; já o gol de pênalti não vi ao vivo, a conexão travou na hora! Imagina só minha agonia pra saber se tinha sido gol ou não! Até pro Brasil liguei e meu irmão não atendia! Devia tá comendo água em Pituaço…
Enfim, o jogo acabou e eu fui esticar a festa. Durante a semana, havíamos sido convidados para um alembamento, espécie de noivado aqui em Angola. Só saímos de casa às 22h (que foi quando o jogo acabou aqui e eu falei que não arredaria o pé de casa antes do apito final).
Chegamos ao prédio que aconteceria o evento: imagine um prédio de cinema. Pra ser mais preciso aquele prédio inacabado do filme O Redentor. Agora imagine esse mesmo prédio no Brooklyn, estilo filme americano de traficantes. Agora viaje mais um pouco e coloque esse mesmo prédio no meio da 2ª guerra mundial. Pois bem, era pior. O lugar era “barra pesada”, como certas coisas aqui, mas o que é um peido pra quem já está cagado? Além do mais, eu queria era comemorar! Fomos pro “terraço”, vulgo laje. Subimos 7 andares. De escada. Sem luz. E com degraus quebrados…
Que fique a lição, Baêa, subir é difícil. Mas chegamos! Vivos! E subir é sinônimo de festa! Que por sinal estava animada, mesmo só com uma luz lá em cima. Tinha uma espécie de churrasco e um buffet (que não dava pra enxergar, pois a lua estava encoberta).
Já o som era bem alto, com DJ e tudo. A galera tava animada, foi então que, em um certo momento, o irmão da noiva abraçou Manga, disse que adorava os brasileiros, etc e tal. Só que, num desses abraços, Manga fez uma piada que passaria despercebida no Brasil, ele disse:
- Rapaz, você tá chegando tão perto que daqui a pouco vai me beijar.
Velho, pra quê? O armário pirou, xingou pra porra, disse que era macho, que gostava de mulher, que não sei o quê. Tava vendo a hora do cara jogar Manga lá de cima. Foi então que me lembrei de uma coisa massa! Chamei o maluco e falei:
- Man, tem um xingamento que só quem é muito macho é que fala lá no Brasil.
- O quê? – Perguntou o armário nervoso.
- Bora Baêa, minha porra.
- Bora Baêa, minha porra?!
- É. Bora Baêa, minha porra!!! Isso aí é de uma energia do caralho e só quem tem colhão é que grita isso lá no Brasil. Gritou isso, todo mundo já sabe que você não chupa mel, masca abelha.
Velho, quando falei isso o maluco começou a gritar no meio da festa:
- Bora Baêa, minha porra! Bora Baêa, minha porra!! Bora Baêa, minha porra!!!
Nisso, eu e Manga ficamos gritando também. Lá do alto do prédio, toda Luanda ouvindo:
- Bora Baêa, minha porra! Bora Baêa, minha porra!! Bora Baêa, minha porra!!!
Depois disso o clima melhorou, a galera se enturmou mais, até a mulherada que estava com a gente se animou pra dançar. E tome-lhe cerva. E tome-lhe BBMP!
Já era de madrugada quando resolvemos ir embora. Hora de descer a escada de novo. Mas dessa vez o clima era outro. Enquanto descíamos o maluco não parava de gritar:
- Bora Baêa, minha porra! Bora Baêa, minha porra!! Bora Baêa, minha porra!!!
É isso aí: Bora Baêa, minha porra!!! Só alegria!

- O armário abraçando Manga