Curitiba, a cidade mais (pé) quente do Brasil! – Bahia 1 x 0 Conquista

Prólogo

Desde que voltei de Angola, em 2009, não perdia um jogo do Bahia em Salvador. Até viajava pra outras regiões atrás do Esquadrão. Mas, por causa do casório do tio de minha namorada, eu estava na fria Curitiba, distante mais de 2.300km da 1ª capital do Brasil.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 16h, 14º C.

Após fazer um esquente no Bar do Alemão, eu e meu irmão Paulo, que mora no Paraná, procurávamos desesperados por um link na internet que estivesse transmitindo o jogo e quebrasse um galho diante da incompetência do PFC, que foi incapaz de passar a semifinal do campeonato baiano. Depois de muito penar, finalmente achamos um e, após fechar 5.873 pop-ups, ficamos vendo a partida tomando umas Stellas, cobertos com edredons e com o manto sagrado.

Salvador, 29 de abril de 2012, 16h, 30º C.

O caldeirão fervia: 19.358 tricolores coloriam Pituaço, outros milhões uniam-se à corrente mundo afora. O Bahia fez um bom 1º tempo, mas foi eclipsado pelo excelente goleiro Rodolfo, o cara fez defesas espetaculares! O que frustou a expectativa de todos de que o melhor ataque do Brasil iria se impor diante do time do interior. Mas a cabeça de todos pensava logo no jogo contra o Remo: 0×0 no 1º tempo e 4×0 no 2º. Era só abrir a porteira que viria uma estrondosa goleada…

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h, 12º C.

Ainda embaixo das cobertas eu e meu irmão continuávamos quebrando uma gelada. E lá em Curitiba a gelada não esquentava nunca, mesmo fora da geladeira, coisas da tecnologia chamada “frio da porra”! Minha cunha Lu também estava no bolo, pois começou a sofrer pelo Bahia, sob influência de meu irmão. Minha namorada estava ausente, foi pro churrasco de família pós-casório (bala, por sinal). Até topei sair de SSA em plena semifinal, afinal, iivisitaria meu irmão também, mas deixar de ver o jogo do melhor time do mundo são outros 500…

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h, 29º C.

Começava o 2º tempo. O Bahia deu uma caída, ainda criou algumas chances de gol, porém, as mais perigosas foram as do Conquista.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h21, 11,5º C.

Bebíamos mais Stellas.

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h32, 28,5º C.

Pantera, atacante conquistense, sozinho, após um contra-ataque, acerta a trave esquerda de Lomba, no rebote a bola ainda sobra pra ele novamente… Que chuta pra fora, rente a trave direita do nosso arqueiro.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h32, 11º C.

Silêncio. Frio. Frio na barriga. Penso no monte de pés-frios que devem ter ido pra Pituaço… isola, porra! Quebro o gelo com a seguinte frase: os Deuses do Futebol vão punir este FDP!

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h42, 28º C.

A turma tricolor cantava sem parar durante longos minutos, a voz do campeão ecoava empolgada pelo estádio, apesar dos pesares. No meio dos cânticos, Lomba ouve do povo um clamor, para que ele fosse pro ataque num escanteio. Ele quase consegue cabecear, mas novamente o goleiro adversário leva a melhor e puxa o contra-ataque. Com o gol vazio o jogador rival chuta… Naquele momento a nação ainda vibrava. E ninguém nos vence em vibração. Tiro de meta pro Baêa.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h42, 10º C.

Suspirávamos aliviados. A bola saiu, nossos corações quase fizeram o mesmo. E ainda havia tempo. Pra qualquer torcedor do Bahia sempre há tempo antes que o juiz apite o término do embate. Ainda brinquei no Twitter: coloca Raudinei, Falcão! Em 1994 eu estava. Bora, Baêa!

Salvador, 29 de abril de 2012, 17h44, 100º C.

Ironicamente, o melhor ataque do Brasil precisava desesperadamente de um único gol pra não jogar fora todos os anteriores. Foi então que o anjo Gabriel cruzou uma bola na área. Se em 94 Advaldo NBA resvalou, de cabeça, uma bola que começou nos pés de Jean e acabou nos pés de Raudinei, em 2012 Donato NBA foi mais efetivo, cabeceou mansamente e graças a Deus, desta vez, ninguém ousou tocar na bola! Era mais um gol histórico do Bahia. A vantagem, após 18 anos era nossa. Os vice pira.

Os mesmos 19.358 tricolores continuavam colorindo Pituaço, pois a nação nunca abandona, independente de divisão ou títulos. Os milhões de privilegiados mundo afora sempre irão se revezar dentro dos estádios, pois é impossível construírem algum templo que caibam todos nós.

Curitiba, 29 de abril de 2012, 17h44, 100º C.

Eu, Paulo e Lu comemorávamos feito loucos! Suávamos vendo o caldeirão ferver. Porra de frio, o Baêa esquenta a alma! Abri a janela e larguei um BORA, BAÊAAAAAAAAAAAAAA, que foi ouvido em Salvador! Lembrei também do incêndio no vestiário tricolor que rolou esse ano e no ano do nosso último título. Parece que está escrito nas estrelas. E estrela é o que a gente mais tem. BBMP!

Epílogo

Acabou o feriadão. Voltei do sul. Minha mãe me contou que ela e minha tia assistiram a partida. Vibraram com o gol! Querem ir pro Bavice. Sorri e falei que foi emocionante mesmo. Ela falou que foi desesperador! Que o coração dela não aguenta mais esse tipo de coisa. Sorri de novo. Falei que torcedor do Baêa vive passando por isso. E ainda demos sorte, tivemos um feriado pra descansar e nem jogaremos durante a semana. Nosso coração merece esta pausa. Ao menos até domingo… Vai pra cima deles, Esquadrão!

ST

P.s: dia 13 de maio meu irmão e mais uma porrada de tricolores que conheço viajarão pra Salvador pra passar o Dia das Mães com elas. Por coincidência, é o mesmíssimo dia da grande final do Baianão! Pelo visto, este ano teremos o almoço do Dia das Mães mais corrido dos últimos tempos… Mas mães entendem. E nós as amamos por essas e outras coisas. ;-)