Dossiê do Zé (Fahel)

:: Por Zé Ricardo Novoa – do Blogaço Tricolor::

Leandro Fahel Matos é o novo contratado do Bahia. O volante nasceu em Teófilo Otoni, em 15 de agosto de 1981.

Antes de falar de Fahel, vou falar de Teófilo Otoni, a terra do sacana. Sua população é formada por negros, índios e brancos. O que, para mim, deixou de ser uma cidade e virou um grande teste de geografia. Índio com negro, cafuzo. Branco com índio, mameluco. Negro com branco, mulato. Certo? Então concluímos que Teófilo Otoni é uma cidade de cafuzos, mamelucos e mulatos. Melhor, concluímos que Fahel pode ser o primeiro volante mameluco a vestir a camisa do Bahia. Que ducaráleo.

Voltando para o que interessa: Fahel foi revelado pelo América, mas foi campeão mineiro pelo Ipatinga, com Ney Franco, em 2005. E aí começaria um grande caso de amor entre Fahel e Ney Franco.

Coloca uma trilha de amor aí, pai.

Boa, agora vamos continuar, também no clima de romance.

O pequeno Fahel e seu amado Ney Franco formaram uma dupla do baralho em Ipatinga. Dupla que fez um sucesso louco. Tanto sucesso que Fahel foi convidado para tentar a sorte além mar, em terras lusitanas, em 2005.

Desconfio que Fahel foi contratado pelo time da CVC ou da Espaço Turismo. Um volante brasileiro em Portugal. Fahel passou pelo Marítimo, Paços de Ferreira, Marítimo de novo e Beira-Mar. Foram quase três anos viajando por Portugal e jogando nos intervalos das viagens. Fahel não fez grandes coisas por lá e, em 2008, voltou para o Brasil.

Coloca a trilha de romance de novo aí, pai.

Em 2008, Fahel voltou para o Atlético Paranaense. E quem era o técnico do Furacão? Isso mesmo, Ney Franco. A duplinha estava junta de novo. Mas essa relação não durou muito. Ney saiu do Atlético e Fahel foi saído logo depois.

Do Atlético Paranaense, Fahel foi para o Goiás. Titular do Goiás, Fahel viveu uma boa fase, mas logo foi contratado pelo Botafogo.

Trilha de romance de novo, pai.

Quem levou Fahel para o Botafogo? Isso mesmo, o queridão Ney Franco. No time da estrela solitária, a duplinha voltou a ficar junta. Que coisa linda. Ao chegar ao Rio, Fahel revelou que jogar na cidade maravilhosa era realizar um sonho de infância. Engraçados esses jogadores, meu sonho de infância sempre foi pegar Patrícia Fofolete, Mara Maravilha ou Cléo Brandão. Lembram de Cléo Brandão? Uhhhhhhhhhhh. Biscoito fino demais aquela mulher.

No Botafogo, Fahel conquistou o Carioca de 2010 e fez 113 gols em 6 jogos. Putaquipariu, errei na mosca agora. 113 gols em 6 jogos dá uma média de quase 19 gols por jogo. Aí ia ser difícil parar o Bahia. Aí sim a gente iria rumo ao título. Aí sim Binha poderia falar que o Bahia é melhor que o Barcelona, o Real Madri e o Milan juntos. 19 gols por jogo é foda. Até com uma defesa de cegos a gente ganharia. Ou pior: até com um defesa com Titi e Thiego a gente brocaria todo mundo. Legal, né? Mas a verdade é justamente o contrário: 113 jogos e 6 gols. Uma média de 0,05 gols por jogo. Tudo bem, tudo bem, ele é um volante.

Tá tudo legal, tudo tranquilo, mas é agora que começam os problemas. Fui pesquisar o que a torcida do Botafogo pensava sobre Fahel e fiquei pasmo (uia!). Fahel é detestado por uma boa parte da torcida. O sacana chegou a ser vaiado antes mesmo do jogo começar. Foi tanta perseguição que Joel Santana afastou Fahel para poupá-lo da ira da massa. O clima no Botafogo estava tão ruim que ele teve que ser negociado com o Bahia.

Bom, é isso. O que Fahel vai fazer no Bahia eu não sei. Só sei que o sacana já começou dando trabalho. Esse nome diferente com um H no meio é foda de digitar.

P.S.: Um vídeo nada a ver, mas tudo a ver com o amor de Ney Franco e Fahel.

Dossiê do Zé (Jobson)

:: Por Zé Novoa do Blogaço Tricolor ::

Vou começar esse dossiê com uma frase bombástica: na minha opinião, Jobson foi a melhor contratação que o Bahia fez em muito, muito tempo. Lembra muito o velho Luís Henrique (o sacana do Luís Henrique era melhor). É bola mesmo. Mas se você passou esses últimos anos procurando vida inteligente no espaço e tá se perguntando “quem é Jobson?”, vou tentar explicar a partir de agora. Está entrando no ar, o Dossiê Jobson.

Jobson, como sempre lembra o bom e velho Antonieta, é o filho do trampo. Como assim filho do trampo, José? Se liga na etimologia (toma uma etimologia na caixa dos petchos, papá) da palavra: Jobson = Job + Son = Trampo + Filho (em inglês) = Filho do Trampo. Perceberam a perspicácia (antes de continuar a ler, saiba que você está vivendo um momento histórico da internet esportiva brasileira: somos o primeiro blog de esportes a usar a palavra perspicácia em um texto – viva a eu, pai)… perceberam a perspicácia da moçada? Mas esqueça essa história de Filho do Trampo, confesso que essa informação não serve para porraninhuma.

Jobson Leandro Pereira de Oliveira nasceu em 1988, em Conceição do Araguaia, no Pará. A cidade natal do sacana é muito louca. É famosa por belas praias fluviais e por um enorme número de famílias sem terra. Mas não é só isso. A região do Araguaia teve uma importância enorme na história recente do Brasil. Foi lá que rolou a Guerrilha do Araguaia, com a galera do Partido Comunista lutando contra as tropas da ditadura. Até hoje moram ex-guerrilheiros e ex-combatentes por lá. Aliás, José Dirceu, aquele do mensalão e amigão de Lula, passou por lá. O que isso tem a ver com Jobson? Absolutamente nada.

Jobson apareceu para o futebol no Brasiliense, em 2007, mostrando sua preocupação com a vida política do país. O sacana nasceu onde teve a Guerrilha do Araguaia e foi jogar no time da capital da nação. O que isso tem a ver com futebol? Absolutamente nada. Mas no Brasiliense Jobson já mostrou que não queria ser famoso só por suas peripécias no campo e aprontou altas confusões, colecionando casos de indisciplina.

Jobson encheu o saco da galera do Brasiliense e, ainda em 2007, foi emprestado para o Jeju, da Coréia do Sul. Agora, cá para nós, jogar em Jeju deve ser muito difícil. É melhor jogar alimentado.

Jobson ficou quase dois anos por lá e, em 2009, voltou para o Brasiliense. O sacana deve ter aprontado tanto lá na Terra sem Esquina que foi logo emprestado para o Botafogo. Aliás, foi nesse ano que Jobson chamou a atenção da galera, ajudando a livrar o Botafogo do rebaixamento.

Jobson ia deslanchar. Jobson ia botar para quebrar (ih, tio, gíria de velho, hein). O Cruzeiro já tava em cima do sacana. Mas aí veio o primeiro caso de dopping. Aliás, o caso foi duplo, dopping em dois jogos. Primeiro falaram em cocaína. Depois ele mesmo assumiu que fumava crack. Porra, crack é foda. Agora vai entrar em campo Zerausio Varela.

Jobson fumava uma droga feita a partir de mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. Essa porra vira uma pedra que faz um barulhinho quando é queimada, por isso o nome onomatopéico “crack” (vai se foder todo mundo, depois de “perspicácia”, agora rolou um “onomatopéico” – duvido que até o fim dos tempos alguém escreva essa palavra em um blog de esportes). O crack é altamente viciante, já que seu efeito é rápido, durando em media 3 minutos. Por isso todo esse temor com a vida extra campo do sacana.

Jobson foi julgado, pegou seis meses de gancho e comeu o pão que o diabo amassou. Até que em 2010 ele voltou a jogar pelo Botafogo. E jogou pacaráleo. Mas também fez merda para caráleo. Não resta dúvidas, Jobson é doidão demais. E sendo doidão, foi mandado embora do Botafogo e parou no Atlético Mineiro.

Jobson chegou ao Atlético trazendo muita esperança na bagagem. Mas dizem que tinha regalias por lá e também caiu na balada na capital mineira. Isso provocou a ira de alguns jogadores e rachou o grupo. Como Jobson não estava comprometido com o projeto do Atlético, foi dispensado. A versão do jogador é que achavam que ele era maluco e queriam internar o sacana para fazer tratamentos.

Jobson é uma prova de que não dá para pintar e bordar no campo e no putêtê ao mesmo tempo. Tanto é que as portas no Botafogo se fecharam para o sacanildo, mesmo ele tendo implorado para voltar. Aqui também vale uma observação: para um cara que fumava crack, um time com o nome de Botafogo não é o ideal, né? Imagina o cara lutando contra o vício e a torcida inteira gritando Botafoooooooogoooooooooo. É sacanagem.

Jobson, para finalizar, era para estar brilhando por aí, sendo mais um a desprezar o Bahia. Mas o tricolor está sendo encarado como a última chance do jogador. Vamos ver o que ele apronta por aqui. Confesso que fiquei feliz com a ideia do exame de sangue frequente. E confesso que estou temeroso com o novo julgamento que ele vai precisar enfrentar. Vai que ele está dando certo, o Bahia tá brocando e ele pega mais um ganchinho. Vai ser foda. Aí eu é que vou cair no crack.

P.S.: Mais um feito para internet brasileira: 11 parágrafos começados com a palavra Jobson. Tudo para falar que se o Bahia tivesse 11 Jobsons, seria um timão da porra. Ou deixaria todos os traficantes de Salvador milionários.

P.P.S.: Dois vídeos nada a ver, que também têm tudo a ver. Um é uma bela merda. O outro é a tentativa de transformar essa bela merda em uma coisa menos bizarra.