Análise Cu de Foca – Bahia 2 x 1 Ceará

Cereja, vermelha, no bolo tricolor

04 de dezembro é Dia de Iansã (que no sincretismo religioso, também é representada por Santa Bárbara), uma entidade lutadora, guerreira, determinada e conquistadora. Características que os jogadores do Bahia parecem ter incorporado para a derradeira partida do Brasileirão, pois, mesmo apresentando um futebol tecnicamente abaixo da crítica, o tricolor venceu o Ceará, rebaixou o adversário, e conquistou a vaga na Copa Sul-Americana, dando a sensação de “algo mais” na campanha contra o rebaixamento.

O jogo começou cercado da já cansativa polêmica sobre “entrega”, mas eu tinha convicção de que isso não aconteceria, até porque, pra começo de conversa, o Bahia tinha objetivos a alcançar. Na verdade, só fiquei na dúvida se o time queria entregar ou não quando vi a escalação de Camacho, Marcone e Gabriel no meio campo. Brincadeiras à parte, o que se viu no lotado estádio de Pituaçu (que deu ao Bahia a segunda melhor média de público da competição, atrás apenas do campeão, o popular Corinthians), foi o Ceará, com três atacantes, partindo pra cima do Bahia, enquanto este, seguia o seu script de “sentir” (lá ele) o adversário, só marcando no início.

Felipe Azevedo e Osvaldo variavam seu posicionamento, mudando de lado, enquanto Marcelo Nicácio era o homem da referência. O Bahia, que de tão lento no início, parecia sem ritmo de jogo, deu alguns vacilos e em um deles (Fabinho, a lá Paulo Miranda) o rosto de Lomba salvou o gol de Osvaldo. O domínio alvinegro era claro e algo me dizia que o gol cearense sairia logo.

Aí veio o gol de Camacho…(veja só, ele mesmo) em um belo chute de fora da área. A essa altura o Atlético-MG já tinha iniciado seu papelão frente ao Cruzeiro e o Ceará, prejudicado pelos dois resultados, acabou perdendo um pouco do ímpeto. Ainda assim, aproveitava a fragilidade do Bahia e atacava mais. Jogou uma bola na trave, na cabeçada de Rudinei e insinuava empatar o jogo logo logo. Aí, mais uma vez, tomou um golpe. Saída de bola interceptada por Lulinha, passe pra Camacho, que demorou, devolveu errado, mas contou com a sorte de Lulinha que, mesmo chutando fraquinho, pegou o goleiro Diego no contrapé e marcou, com a bola entrando lentamente no gol. Bahia 2×0, com requintes de crueldade, como gosta de dizer o excelente Milton Leite.

A essa altura a partida parecia definida, pois o Atlético-MG, em alta performance, conseguia tomar 4 gols do Cruzeiro na Arena do Jacaré e o Ceará estava rebaixado independente do resultado de Pituaçu. A partir daquele momento, o jogo só valia para o Bahia, que contava com a bondade do Galo pra garantir sua vaga no torneio continental.

Mas com o Bahia sempre tem que ter emoção e, antes de terminar o primeiro tempo, Felipe Azevedo (que acho até parecido Daniel Alves, de rosto), chutou da entrada da área, cruzado e diminuiu, dando ares de “luta pela dignidade” os jogadores cearenses.

No segundo tempo o Bahia tinha tudo para homenagear seu torcedor com um futebol mais solto, agressivo, imponente, mas o que se viu foi justamente o contrário: com o Ceará pressionando, o Bahia sem acertar passes, numa mistura de displicência e afobação, foram os erros de finalização alvinegras, a segurança de Lomba e, vá lá, a luta dos jogadores tricolores, que garantiram o resultado para o Bahia, em 45 minutos ainda piores que os primeiros. No fim, a torcida ficou feliz com a conquista da vaga, mas o futebol apresentado deixou uma mensagem de alerta sobre a necessidade de ajustes na equipe.

Algumas observações:

Lomba foi Lomba mais uma vez. Foi eleito o melhor goleiro do Brasileirão, no troféu Armando Nogueira (e tenho esperanças de que ele conquiste também a Bola de Prata Placar). É o melhor da posição desde Émerson (Fernando e Omar foram testados na série B, complicado comparar).

Marcos sentiu uma pancada no segundo tempo e sumiu do jogo. Mas antes, quando apareceu, não foi bem.

Paulo Miranda se despediu sem comprometer. Um belo zagueiro, que se tomar consciência do que não sabe fazer, vai muito longe. Danny Morais entrou bem. Foi muito exigido e não comprometeu.

Titi foi bem também. No segundo tempo cresceu muito, evitando um final melancólico para o tricolor.

Ávine, sem ritmo, se dedicou como sempre, mas não fez uma boa partida. Torço muito para que ele permaneça no Bahia. Para mim, uma bela demonstração de grandeza para uma equipe é manter seus ídolos. A Udinese, time médio da Itália, mantém Di Natale, que é figura certa na seleção italiana, há anos. Porque o Bahia não pode manter Ávine?

Fabinho deu uma entregada no início para Osvaldo, mas depois cresceu com o sistema defensivo da equipe e ajudou a segurar o resultado.

Marcone correu muito atrás de Osvaldo e isso deve ser usado como atenuante na avaliação de sua atuação de passes errados e alguns vacilos de posicionamento.

Camacho, verdade seja dita, foi o melhor do Bahia do meio para frente. Continuo achando que ele é menino de playground, mas fez um gol e deu passe pra outro, mais que Carlos Alberto fez em seus 19 jogos pelo Bahia. Ainda assim, penso que Camacho não mostrou bola pra vestir a camisa do Bahia.

Gabriel até que deu uns passes e dribles interessantes, deu velocidade em determinados momentos ao jogo e teve mais personalidade. Mas ainda não empolgou não. É talentoso, deve ser trabalhado, principalmente na força física.

Lulinha brigou como sempre e deixou o seu. Só não me passa confiança ainda pra ser titular da equipe, mas manteria ele no elenco, sem dúvidas.

Souza não foi bem, apesar do início de jogo promissor. No segundo tempo ele sumiu de vez e foi mais importante ajudando a defesa. Mesmo assim, termina o ano com saldo positivo.

Junior entrou sem muita eficiência. O mesmo vale pra Nikão.

Joel mostrou mais uma vez ter estrela para, mesmo aos trancos e barrancos, conquistar seus objetivos. Eu prefiro assim, alguém vencedor por excelência, mesmo que algumas ideias táticas não sejam lá as mais admiradas pela torcida. Se ele ficar pra 2012 eu criou boas expectativas para a temporada.

Enfim, assim como em 2010, o Bahia encerra mais um ano deixando seu torcedor satisfeito, por ter alcançado seus objetivos (pelo menos no Brasileiro). Agora, é hora de elaborar melhor esses objetivos, para voltar a mostrar para todos o verdadeiro tamanho que o clube tem. Fugir do rebaixamento é pouco, muito pouco, mas foi o estabelecido e alcançado. Já a conquista da vaga na Sul-Americana é uma cereja pro bolo. Vermelhinha, da cor da Iansã.

Obs:

O Bahia finalmente venceu algum time que começa com a letra C.
Em Pituaçu nem gol tinha feito contra Coritiba, Corinthians e Cruzeiro. Fora, só tinha marcado contra o Cruzeiro. Sai zica!

O Bahia finalmente venceu com Pituaçu recebendo lotação máxima (32.157). O jogo contra o São Paulo tinha 31 mil pessoas.

Para quem acompanha essa análise “Cu de Foca” no BBMP, vai um abraço forte, pois essa é a última deste ano. Agradeço o apoio, as críticas, a participação de todos. Espero ter tempo e também ainda mais cuidado com as palavras para melhorar para 2012 e poder continuar com vocês. Feliz Ano Novo galera.

Abraço.

Eu quero a sorte de um amor tranquilo…

Eu amo o Bahia. Mas amor que é amor pressupõe conflitos. Te deixa nas nuvens ou te esfaqueia. Em certos momentos é o melhor sentimento do mundo, noutros te provocar dor.

Eu amo o Tricolor. E ele é capaz de tudo isto que citei. Me deixa nas nuvens quando vira um jogo épico ou me esfaqueia quando flerta com o passado do rebaixamento. Me faz esquecer todos os problemas da minha vida ou é justamente o grande motivo dos meus cabelos brancos.

Eu amo o Baêa. Mesmo sabendo seus defeitos, suas manias, suas falhas, seus vícios. E, mesmo sabendo que amar é sofrer, tenho pena de quem não o ama.

Eu amo o Esquadrão. E admiro muito toda a emoção que ele é capaz de oferecer. Mas tem horas que tudo o que mais preciso é a sorte de um amor tranquilo. Sem tantas emoções conflitantes. Um amor sereno, só isso.

Eu amo o Bahêa. Mas, em certos momentos, meu coração precisa de um descanso. E é impressionante como o nosso time prefere as coisas sempre com emoção. Muita emoção.

Por tudo isso, depois de muitos testes pra cardíacos ao longo de 2011, vou com muito gosto pra Pituaço no domingo. É que faz tempo que não vejo o meu amor em campo tão leve. Sem estar precisando desesperadamente dos 3 pontos.

Domingo eu não ligarei tanto pras superstições, sentarei tranquilamente, deixarei o relógio de lado, degustarei meu amendoim calmamente e ficarei observando minha paixão, sem stress, sem cobranças.

E, ao término da partida, independente do resultado, sentirei saudades. Muitas saudades. Meu coração tranquilo vai sentir falta da emoção que o Baêa o proporcionou durante toda a sua vida. Mas no futuro a gente se bate, com todo amor que houver nessa vida…

BBMP!

P.s: bom jogo pro Baêa jogar com o 3° uniforme… e mostrar que pode vencer com ele.

P.s 2: fique aí com um som porreta, que aprendi a gostar com meu pai.

O dilema de um herói

Os tiranos do eixo do mal fizeram de tudo para acabar com o Super-Homem, tentaram humilhá-lo, massacrá-lo, deixá-lo por baixo, mas ele jamais se ajoelhou. Ele vinha de uma luta árdua que durou 7 longos anos e estava desacreditado por muitos, mas deu a volta por cima, se levantou e seguiu para o alto e avante, calando quem o taxou de fracassado e quem o dava como vencido.

Ainda estava baqueado por tanta porrada que tomou no período, mas acabara de salvar a vida de milhões de pessoas, que o veem como um salvador. Elas estavam felizes, fazendo a maior festa, pois o sufoco de algo pior acontecer já havia passado. Nosso mundo estava salvo.

Foi então que, já livre de qualquer ameaça, o Super-Homem olhou para trás e viu o penhasco ameaçador. Lá dentro havia um furacão e na borda ele observou a Blue Fox em apuros, pronta pra cair. A raposa maldita era um grande vilão na sua história gloriosa e o havia derrotado feio no passado. Nosso herói chegou a levantar voo, mas parou, pensou, pousou e, como em todo filme de herói, retornou e se aproximou do seu antigo algoz…

Estava criado o dilema moral: ele deveria tentar salvar aquele que te trouxe dor (e ter sua consciência limpa) ou era melhor ajudar um vovô e deixar que um inimigo mais poderoso despencasse no abismo, pra se juntar ao monte de estrume que vive lá embaixo?

A raposa maldita iria ter que se gladiar com outros vilões mais fracos quando caísse pro inferno, como, por exemplo, a nossa arquivilã Cachorra Desdentada de Peruca (e isto também tornaria a vida no abismo mais árdua para ela). A vida aqui no alto, no nosso paraíso, também teria um perigoso inimigo a menos.

Por outro lado, caso resolvesse salvar a raposa, o nosso herói teria a possibilidade de ganhar ainda mais moral e poderia alçar voos ainda mais altos.

E então, se você tivesse superpoderes, se pudesse influenciar no destino, seja girando a Terra no sentido contrário, seja salvando a vida mesmo de quem não mereça… O que você faria?

Penso o seguinte: todo herói tem seus arquirrivais, todo herói já viveu esse dilema de salvar (ou não) quem não merece ser salvo. No mundo perfeito o Super-Homem já saberia os resultados do Galo Vingador e do Dragão de Fogo e poderia tomar uma decisão melhor, alegariam alguns. Mas nós vivemos no Mundo de Bizarro (aquele Super-Homem ao contrário) e aqui a vida não é tão fácil.

Por tudo isto, eu jogaria pra honrar a nossa história, pra dar um tapa de luva de pelica na cara da Blue Fox, pra provar que não nos igualamos a leoa banguela (que costuma entregar jogos pra nos destruir e mesmo assim não consegue, vide entregada pro Pó de Arroz em 1996, onde nos salvamos sem a ajuda dela).

Nós somos gigantes e devemos nos portar como tal. Lembra do Baianão de 2008? Poderíamos ter entregado o jogo pro Bode Verde ser campeão, mas não, vencemos de CINCO a ZERO e, por causa disso, a leoa de prata ganhou mais um torneio, entre uns poucos que ela tem.

Podemos até perder ou empatar domingo, isto pode acontecer em qualquer batalha, mas que seja de cabeça erguida, pois nunca vi o tricolor se entregar sem lutar. Revéses fazem parte da vida de qualquer herói, mas a glória é restrita a poucos. Eu não ficarei nem um pouco triste se a raposa cair, mas ficarei muito triste se o Super-Homem não honrar seu lema: nascido para VENCER.

Vai pra cima deles, Esquadrão de Aço. Honre seu uniforme sagrado!

BBMP! \o/

P.s: deixem de besteira! Na verdade nem foi aquele timaço do Cruzeiro que rebaixou o Bahia (só coincidiu do último jogo ter sido contra eles, poderia ter sido o Santos ou o Paysandives na última partida). Quem nos rebaixou de verdade foram certos dirigentes incompetentes. Não nutro simpatia pelo Cruzeiro, mas ele só fez a sua obrigação: jogou pra ganhar. ST!

P.s 2: essa história toda começou após a nota oficial do Bahia, parabenizando os 2 nordestinos que subiram pra elite e vão se juntar a nós ano que vem. Obviamente, a nota foi pra tirar sarro do vicetória, era uma piada que, por coincidência, tinha o Ceará entre os nordestinos. Uma provocação, apenas isso. Aí os cruzeirenses, que estão se borrando de medo pra enfrentar o Galo e estavam depositando suas esperanças no Bahia, se desesperaram. Porém, o Bahia não tem mais nada a ver com o rebaixamento, como bem parodiou meu irmão: essa pica já não é do Bahia! Esta pica é do Cruzeiro, Ceará e Atlético/PR. Façam bom uso dela…

P.s 3: este é o post número 1111 do blog! Sabe o que significa isso? ……………………………… Nem eu. ;-)

Ah, Rodrigo Paixão (pelo Bahia, né, pai?) pediu pra divulgar a imagem abaixo:


VanBoraBahea (no Santos 1 x 1 Bahia)

O texto abaixo foi enviado pelo broder Marcelo Lopes, um sacana que conheci este ano no Botafogo 2 x 2 Baêa (clica aqui)! É um dos caras que conheço que mais se emociona com um gol do tricolor, chega preocupa os amigos. hahaha Valeu, sacaneta! Está quase pé-quente, pois anda empatando muito…

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São Paulo, domingo, 27/11/2011. 11h da manhã.

Em frente ao MASP, na capital Paulista, um grupo de 14 torcedores do Bahêa se reúnem para encarar um percurso de 80km de van (apelidada de VanBahea) rumo a Santos. Não era uma viagem simples. Tínhamos que encarar um engarrafamento na estrada, causada por paulistanos farofeiros, que descem para passear na praia de tênis Olympikus e meia preta, comendo milho assado (nada de acarajé!) nas areias cinzas do litoral paulista e eles ainda se amarram num mergulho naquele horroroso mar barrento (ah, São Paulo!)…

Galera da Van no vão do Masp!

O pessoal do Santos não havia divulgado no site oficial informações a respeito de venda de ingressos para a torcida do Bahêa, como havia feito para outras torcidas visitantes em jogos anteriores. Pasmem, nem a assessoria de imprensa do próprio EC Bahia sabia nada. Portanto, saímos da Avenida Paulista, numa van lotada de Bahêa, sem ingresso no bolso, com a cara e a coragem de encarar todos os desafios para ver o nosso Esquadrão de Aço jogar.

Eu e Paulo Marcio

Havia também um receio com a torcida organizada do Santos, que povoa as redondezas da Vila Belmiro e tem fama de confrontos com torcidas adversárias. Fomos direto ao estádio e lá já tinha uma fila de tricolores que esperavam para comprar os ingressos (que alívio!). Garantindo o ingresso (R$10,00 a meia), nos espalhamos pelas redondezas. Fomos bater um rango e comer água numa lanchonete defronte ao estádio, resenhando como a porra, mas ligado nos sacanas mal-encarados da torcida adversária. Tinha um esfomeado da VanBahea, que bateu um prato que qualquer peão da obra da Fonte Nova iria ficar com inveja!

Dani com o Sorrisão! Tirem o olho, é minha esposa!

Os santistas comuns chegavam para resenhar, de boa, ou para tirar fotos com a gente. Com a chegada de cada vez mais tricolores, ocupamos a rua em frente ao nosso portão e nos fizemos em casa. Cantando o hino e o xalaiá laiá para o deleite dos santistas que só olhavam para a gente, com um misto de curiosidade e admiração. A resenha rolava solta no espaço… Binha de São Caetano, chegou com aquele discurso padrão (Bahia Melhor do Mundo!!). Do nada, apareceu um sósia de Pelé, torcedor do Bahia e os santistas piraram quando ouviram “Ô Ô Ô, o Pelé é tricolor!!”.

Sobrou até para Marcelinho, cabeça de gel, que passou pela gente, charlando. De cara uns torcedores até falaram bem do jovem mandatário do Bahia, ouvi pessoas falando coisas do tipo “é isso aí presidente, jogue duro!”. Mas quando passou pela galera da VanBahea tomou foi um escalde MONSTRO. Palavras, obviamente impublicáveis! Receba, sacana! Quem manda não abrir o clube para os sócios?

A nação invade qualquer aquário do Brasil!

 

Entrando na Vila, nos assustamos com o diminuto tamanho do estádio. Mas nada mais justo do que o peixe jogar num aquário. Casa cheia quer dizer 12.000 pagantes? Só aqui! Na nossa torcida, uns sacanas, nada a ver com organizada, chegaram com uma batucada escrota da porra. E, nesse embalo, puxamos vários cantos e hinos para empurrar o time pra frente.

Rei Marcos com moral, cheio de fãs!

Até que começou o jogo e o brocador Souza (tenta, tenta e…) chuta aquela bola, que entrou lentamente no cantinho (lá ele!). Bahia 1×0! Man, apaguei na hora. Nem sei te descrever o que rolou… foi uma loucura total. E o Bahia repetia o feito do grande Esquadrão de 59, brocando no aquário. Na hora do gol, dois integrantes da VanBahea estavam em um camarote, rodeado de santistas. E eles com uma bandeira do Bahêa em punho (e o João Sorrisão), na cocó, pai. Os caras comemoraram feito loucos. Dei moral, foram corajosos pra caráléo, porquê o que teve de torcedor querendo expulsá-los de lá, na brutalidade, não foi pouco não. Segundo um deles, um coroa até bateu fio para umas 100 pessoas, incluindo (acredite!) o Rei do Futebol! (Pelé, não o Rei Marcos, como diria meu amigo Marcão…).

Claiton, Felipe, Caio e Sorrisão

O jogo era aberto, com boas chances dos dois lados. O Bahia esbanjava raça e obediência tática e no Santos sobrava habilidade. Reconheço… Neymar é bom mesmo, velho. Sinceramente, foi um privilégio ver esse sacana jogar no seu habitat natural. É tudo o que falam mesmo. Tudo bem que também ninguém pode respirar perto do menino, que o juiz apita falta. E, porra, fazer gol no Bahêa não, né? Sim, e o cabeça de galo empatou o baba. Segundo um filho de Deus que conheço, numa falha de Lomba… alguém concorda?

Cerveja como a vida é...

No intervalo, os sacanas (e o João Sorrisão) que estavam no camarote voltaram com a uma animação fora do normal….e com a cerva. Na verdade era uma cerveja fuleira, com o escudo do Santos na lata…passei mal! O som da torcida do Bahea ecoava pelos quatro cantos do estádio. Vibramos muito com os gols do América e tambem com o bom empate entre Cruzeiro e Ceará. No apito final a vibração foi geral das duas torcidas. Nós estávamos contentes com a permanência na Série A e o pessoal do Peixe criou um clima de “Mini-Réveillon” dentro do estádio, com direito a papel-picado, queima de fogos e comemoração a mil com o gol do Vaxco, que impedia o Corinthians de ser campeão (ah, São Paulo!!). Depois disso, ainda mofamos durante 40 minutos na arquibancada, enquanto os torcedores do Peixe saíam.

Do lado de fora, nos batemos com Ricardinho e Lulinha, que pacientemente posaram para fotos e (em off) falaram que vão permanecer no Bahêa, no ano que vem. Será?

Galera da VanBahÊa com Lulinha e Binha, mas sem foco.

Tivemos que sair picado de lá, orientados pela comunidade do bairro que nos alertou da presença de violentos integrantes da torcida Jovem (ah, São Paulo!). Pense numa mola, pai… No final das contas, deu tudo certo! Sobrevivemos e o Bahia permaneceu na Série A. E nós da Embaixada do Bahêa em Sampa ficamos felizes por termos mais dois jogos no estado para ir ano que vem já que subiram a Portuguesa e a Ponte Preta (lembrando que o vicetoria se lascou!). Quem quiser colar com a gente, para assistir os jogos nos estádio e em telões da capital, nos acompanhe no Facebook (CLICA, SACANETAS!), no nosso grupo (CLICA AQUI, REBANHO!) ou o nosso perfil do twitter (@BaheaSP).

Van(bora)Bahea! Rumo a Sulamericana!

BBMP!

Marcelo Barreto Lopes é médico e doente pelo Bahêa!

P.s: Em tempo, gostaria de agradecer ao pessoal que colou com a gente na Van: Paulo Lessa, Sheila, Jorge Guenna, Claudio Perazzo, Caio Andrade, Caio Tuvo, Felipe Campos, Paulo Márcio Mettig, Claiton Guedes, Daniela Lopes, Antonio e Paola Alvim.

Pela paz nas arquibancadas!

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Já que o assunto é o fim de semana que passou, vale sempre lembrar:

 

Ah, eu não falei que SERIA BOM O LEÃO SUBIR… Confira clicando aqui!

 

Análise Cu de Foca – Santos 1 x 1 Bahia

As coisas conspiraram a favor. O América-MG venceu o Atlético-PR, Ceará e Cruzeiro empataram e o pontinho conquistado contra o Santos foi suficiente para garantir o Bahia na primeira divisão em 2012.

O jogo teve um roteiro parecido com outros do tricolor de Joel. O Bahia começou arisco, com menos de 10 segundos, Ávine “tabacou” um santista e pareceu mostrar um time agressivo. Bobagem…como sempre, fogo de palha que só assustou o adversário por, no máximo, 15 minutos.

Contando com a fase iluminada de Souza, o Bahia abriu os trabalhos e, pela lentidão e parcimônia do Santos, poderia controlar mais o jogo e até tentar agredir mais. A esquerda alvinegra era um pote de ouro para Lulinha e Marcos, e eles até tentaram explorar isso, mas faltou insipiração.

O Santos era quase todo preguiçoso. Quase…porque Neymar estava bem disposto…e durante o jogo me peguei algumas vezes suplicando: “alguém pare esse cara…”

Esbanjando categoria e vontade, ele parecia jogar uma final. Não sei se viu as cores parecidas e achou que já era o Barcelona, mas o menino queria bola. Assim, foi incisivo e decisivo.

Lomba, depois de fazer das suas e salvar o Bahia duas vezes, não teve como impedir um chute forte e bem colocado do garoto prodígio do Santos. O empate não era um mal resultado, mas, àquele momento e pela bola jogada por Neymar, achei que a coisa ia “empenar” para o lado do Bahia.

Porém, contando com o sumiço e a falta de pontaria de Borges, com o pé descalibrado de Elano nas bolas paradas e com uma boa atuação do sistema defensivo, o tricolor se segurou no primeiro tempo.

Eu tinha uma esperança de que o Santos voltaria sem Neymar, por precaução. Nada disso…o que aconteceu foi a correção do lado esquerdo do time. Muricy, que não é um técnico campeão à toa, tirou Bruno Rodrigo, que já tinha cartão, e botou Léo, na esquerda. Assim, Durval voltava para sua posição de ofício e o Bahia voltava a não ter brechas.

O tricolor retornou ainda mais preocupado em não sofrer gols e, apesar de chamar o Santos pra cima, não chegou a correr grandes riscos. Por outro lado, pouco agrediu também, fazendo do goleiro praiano um mero espectador na maioria do tempo.

Tempo que foi passando e o Santos, apesar de buscar atacar, mostrava ser indiferente à ideia de vencer o jogo, enquanto o Bahia, com unhas e dentes, tentava segurar Neymar, que continuava mostrando um pouco do repertório de dribles e jogadas que tem. Ainda bem que era o único santista afim disso. Se tivesse só mais umzinho na mesma “vibe” dele, era difícil o Bahia, com aquela postura do segundo tempo, conseguir esse empate.

Fato é que conseguiu, contou com a ajuda do Santos e de outros times e se manteve na divisão de elite. Agora, tem um jogo para tentar alcançar a Sul-Americana, que seria lucro. Um jogo que é decisivo para o Ceará e que já está envolvido em especulações sobre uma facilitação do Bahia ao time cearense, pela força do futebol da região Nordeste. Acho uma besteira que se pense isso, pois o Bahia há mais de 20 anos não sabe o que é jogar uma competição internacional (Copa Renner, 97, não conta) e deve jogar pensando em vencer sim.

Mas há de se analisar algumas coisas: A Sul-Americana depende de um triunfo tricolor e de derrotas de Atlético-Go e Atlético-MG. O Galo, motivado pela possibilidade de rebaixar o rival, pega o Cruzeiro todo remendado, precisando desesperadamente vencer pra escapar. O Atlético-Go enfrenta o (só agora) encardido América-MG, no Serra Dourada. Ou seja, não é algo tão provável assim a conquista da vaga por parte do Bahia, mesmo vencendo.

Outro ponto importante a ser analisado: Se o Cruzeiro cair, o Bahia deixa de ter um rival potencialmente mais forte para a próxima temporada, pois não acredito que, caso permaneça, o Cruzeiro vá lutar para não cair de novo ano que vem. Então, tirar o Cruzeiro (time que, inclusive, o Bahia tem sérias dificuldades pra vencer, historicamente), pode não ser tão ruim assim, pensando no futuro do próprio Bahia. Ademais, o Ceará é um time que pode ser tábua de salvação para o Bahia em 2012, caso o tricolor não mude de atitude e passe a correr riscos de novo no próximo campeonato.

Então, claro que não sou a favor de entregar nada, mas não se pode negar que há um argumento plausível para que o Bahia prefira que o Ceará fique e o Cruzeiro caia.

Posto isso, vamos à algumas observações do jogo da Vila:

Primeiro pelo Santos: Neymar é um monstro e ver o Bahia jogar contra ele é angustiante. Caso a estrela santista não estivesse em campo, era capaz de, mesmo com um futebol horroroso, o Bahia vencer na Vila.

Agora o tricolor:

Lomba, defesaças no primeiro tempo, tranquilidade no segundo. Bahia deveria renovar logo e não esperar Maio de 2012 pra pensar nisso.

Marcos sofreu com Neymar e pouco aproveitou o lado esquerdo torto do Santos, mas mesmo assim já deu outra vida ao time em relação à Jancarlos, no último jogo. Espero que fique 2012 também, acho um bom lateral e uma excelente composição de elenco.

Paulo Maldini Miranda deu mais um show de eficiência. Mas também deu mais uma entregada, não aproveitada pelos santistas. Não deve ficar, São Paulo o aguarda, mas gostei de sua participação no time esse ano.

Titi, candidato a ídolo, foi muito bem no jogo e acho que sua renovação deve ser tratada como prioridade.

Ávine voltou de contusão com a disposição de sempre, mas sem o ritmo ideal, o que é normal. Sou fã dele, pelo tempo de casa, pela dedicação sempre explícita e pelo talento. Espero que fique, mas creio que seja difícil, pelo assédio de outras equipes. (o Bahia deveria investir pra mantê-lo, não concordo com sua provável negociação. Manter ídolos é uma forma de mostrar ambição por conquistas)

Fahel é um zagueiro de meio campo. Marca muito bem e é concentrado no jogo. Tem contrato até final de 2012 e fico feliz por isso.

Fabinho foi muito importante mais uma vez e sua experiência conta muito. Só acho que ele e Fahel juntos deixam o Bahia muito “duro”,apesar de bem seguro. Caso ele permaneça na equipe para 2012, espero que o tricolor traga um terceiro homem de meio campo bem rápido e técnico, pra equilibrar as coisas, senão vai faltar força ofensiva de novo.

Diones continua regular: futebol fraco e marcação vacilante. Pelo que apresentou de início no Bahia, acho que merece uma oportunidade de crescer no elenco. Por mim, ficaria.

Ricardinho faz algo que acho muito importante: passa a bola rápido. Mas a falta de vigor dele atrapalha muito o andamento das coisas, a transição para o ataque. Acho interessante sua permanência, por ter se mostrado jogador de grupo (mesmo preterido por Joel inúmeras vezes, trabalhou com seriedade e respeitando a equipe) e por sua técnica refinada. Só não pode ser titular da próxima temporada.

Lulinha não conseguiu criar nada muito concreto, apesar de toda dedicação. Mas acho que a proposta de jogo do Bahia (sempre defensiva) e a falta de meias competentes no elenco contribuíram para que ele aparecesse pouco. Eu renovaria o empréstimo junto ao Corinthians. (Mas o Bahia precisa de um atacante de lado mais incisivo, mais forte e técnico).

Souza desandou a marcar gols e isso me motivou a torcer por sua renovação, mas também para compor elenco, penso eu, ou para variar forma do time jogar. Um atacante de área mais rápido e eficiente se faz necessário, urgentemente.

Júnior entrou e pouco fez. Não façø questão de ve-lo renovando contrato. Por mim, daria lugar a outro.

Carlos Alberto também só sassaricou os cabelos em campo e espero que seja dispensado ao final da temporada, pois não fez nada que justificasse o investimento do clube.

Danny Morais entrou para marcar Neymar no final do jogo e teve pouco tempo pra mostrar futebol. Acho que é um zagueiro que compõe bem elenco, mas não pode ser titular ano que vem.

Joel armou um time coerente, mas a postura da equipe, principalmente no segundo tempo me desagradou. Ele valoriza em demasia os adversários e privilegia pouco o ataque. Conseguiu armar um bom sistema defensivo para o Bahia, mas, não sei se pela falta de peças de qualidade, ou por filosofia, constituiu um time com pouquíssimas condições de agredir os adversários. Acho que o Bahia deve manter peças de seu time titular esse ano como opções de elenco na próxima temporada. E isso passa por Joel, pois o mercado de treinadores também não está dos melhores. É importante ter uma sequência de trabalho e manter uma base, apesar do desempenho ruim. E é fundamental contratar gente capacitada para decidir partidas. Desde Jóbson não se vê alguém assim no tricolor.

Esse ano o Bahia se dedicou muito à jogar no erro dos adversários, mas isso funciona mesmo na série B, onde times menos qualificados acabam errando mais. Na série A, as equipes erram menos e os jogadores têm nível mundial. Agredir, ter poder ofensivo, é essencial para fazer uma boa campanha e espero que isso seja filosofia do Bahia na próxima temporada, trazendo gente capacitada para isso (meias como Morais, Jorge Wagner, Renato Cajá e, principalmente, um “sonho de consumo meu”, Leandro Domingues, são algumas opções, mas não devem ser as únicas).

Foram apenas 10 triunfos em 37 partidas, é muito pouco. Foi campanha de rebaixado, mascarada por times ainda mais incompetentes que ajudaram. Não chego a “comemorar” a permanência na primeira divisão, mas assumo que durmo hoje acompanhado de um baita alívio.

Abraço.

Análise Cu de Foca – Bahia 0 x 2 Palmeiras

Voltei a rezar

O Bahia mais uma vez surpreendeu: conseguiu perder para o Palmeiras. Agora, depois de fazer o mais difícil, viu sua situação ficar complicada na reta final do Brasileirão, com o risco real de rebaixamento, finalmente desmascarado.

Pior que ver o Bahia perder para o horroroso time do Palmeiras, foi perceber que o resultado foi muito justo. Tudo bem que eu já imaginava que o tricolor teria grandes dificuldades ofensivas sem seus laterais titulares, pois é uma equipe voltada para as jogadas de lado e não tem criatividade no meio (queria ganhar um real para cada vez que precisasse escrever isso). Mas, sem Marcos e Dodô, era preciso ter um meio de campo bem forte, e paciência, pra rodar a bola e esperar uma das poucas chances de marcar. Era preciso que jogasse feio (como fez), mas fosse eficiente (como ficou longe de fazer).

Só que aí o treinador resolveu criar mais dificuldades ainda e já na escalação passou calafrios:

Joel Santana, lembrando teimosias como a de Alex Guimarães, frangueiro que insistiu em manter no time em 1999, escalou, de titular, o inexpressivo, ineficiente e, efetivamente inútil, Camacho. Eu não faço a menor ideia do que pretende o treinador ao escalar esse indivíduo que não cria, não marca, não corre, não vibra e nem se liga no jogo. (no final do primeiro tempo, teve um lance sintomático: enquanto um jogador do Palmeiras simulava contusão pra ganhar tempo, Marcos Assunção, com uma falta a favor, chegou a bola uns 5 metros pra frente, na cara do “garoto de playground” Camacho, que, com as mãos na cintura, assistia passivamente. Precisou Titi, esse sim, um jogador focado, chamar a atenção do meia do Bahia, pra “devolver” a bola ao lugar certo e ficar esperto.) Parece pirraça ou descompromisso do treinador, mas Camacho foi titular.

Terminando a escalação desastrosa, Joel também me veio com outras novidades: Jancarlos, visivelmente perto da aposentadoria, (algo que percebemos também há algum tempo), foi lançado de titular e Hélder, mesmo com um problema na coxa, foi deslocado para a lateral-esquerda, desarticulando ao mesmo tempo que a própria lateral, a frente de zaga tricolor. Aí eu pergunto: Porque Maranhão, outro que não tem a menor condição de jogar no Bahia, tem tantas oportunidades no time de cima e Madson, lateral direito de ofício, promissor, que tem a simpatia da torcida, não joga? Por que William Mateus, de 21 anos, que treinou bem a semana toda e foi relacionado, não foi sequer para o banco? Joel destrambelhou o Bahia. Com sua invenção, fez a equipe perder também meio de campo e, com isso, qualquer chance natural de ser dono da partida.

Aí, foi aquele “oba-oba” inicial que me lembrava a época de René, com aqueles 5 minutos de aparente disposição de Carlos Alberto, sempre arisco no início do jogo e pronto. Com 10 minutos já se via uma partida tenebrosa, onde um time parecia ter sido montado na porta do estádio e o outro, ruim por majestade, explicava por que não ganhava de ninguém há 10 partidas. A diferença é que o Palmeiras tem dois indivíduos bem eficazes: Marcos Assunção e Luiz Felipe Scolari.

O primeiro, em um escanteio, gerou o primeiro gol alviverde, em uma cabeçada de Luan que Hélder não acompanhou e Ricardo Bueno aproveitou, deixando o Bahia num desespero só. O segundo,no intervalo, esperou o Bahia voltar, viu que Júnior entrou no lugar de Camacho e voltou pra dar orientação para o time. (Até nisso o Bahia foi afobado, impressionante). O resultado foi que o Palmeiras trancou o lado esquerdo ofensivo do Bahia no segundo tempo, sempre com um jogador na sobra e com isso minou as chances tricolores, até mesmo depois da entrada de Nikão (não é todo dia que se encontra um São Paulo inexperiente pela frente pra atacar desorganizadamente mesmo ganhando de 3×1, né meus caros?). E, apesar de Camacho ter saído, Hélder continuava atirando pedras em todo ícone de fé imaginável.

O Palmeiras foi dono do segundo tempo e o Bahia tentava um gol na base do “resolve aê Nossa Senhora Tricolina”, dando chutões para frente. Lomba salvava o time de uma goleada e a noção de que o Bahia, escalado como estava, não faria gol no Palmeiras até a Fonte Nova ficar pronta, era clara. No final, Marcos Assunção carimbou a porradinha merecida, fazendo gol de falta. Outra cereja no bolo adversário, tal qual o Bahia tinha permitido ao Vasco há pouco mais de um mês.

Algumas observações:

Lomba salvou tudo que tinha direito de salvar e cansou. Até acho que falhou no segundo gol do Palmeiras, mas imagino que faltava-lhe força àquela altura do jogo.

Jancarlos não tem mais a menor condição de jogar. A contusão do ano passado complicou sua carreira e agora eu o vejo correndo e lembro de jogadores como Luciano Baiano e Émerson Cris, que corriam dando a impressão que tinham uma corda curta ligando um joelho ao outro. Marcos fez uma falta gigante ao time.

Paulo Maldini Miranda não aguentou ficar muito tempo sem dar das suas e entregou um gol ao Palmeiras, mas Valdívia estava impedido. Foi uma partida ruim dele, que ainda fez a falta desnecessária do segundo gol alviverde.

Titi parecia o jogador mais concentrado da equipe, e, apesar de já ter feito partidas melhores, não compremeteu.

Hélder foi um teste de paciência. Falhou no primeiro gol, errou diversos passes e no início do segundo tempo chegou ao cúmulo de errar dois laterais seguidos, entregando, com as mãos, a bola ao adversário. Fez falta ao meio campo pelo seu poder de marcação e posicionamento e estragou a lateral-esquerda com sua lentidão e falta de precisão.

Fahel teve que se virar sem seu parceiro Fabinho e fez uma partida bem regular.

Diones não joga bem há muito tempo e já não justifica sua condição de titular. Não pode ser colocado como homem de “pegada”, pois não sabe tomar bolas. Pra completar, ainda erra passes em profusão. (Marcone, fora de forma, deve estar muito mal também, pois Joel, caso o escalasse, poderia mexer menos na estrutura da equipe, montando um meio de campo mais pegador).

Camacho é um engôdo. Seu rendimento, mais uma vez, foi triste. Olho pra ele e me lembro daquela criança criada à base de leite com pêra, que joga futebol de sandália Rider. Não é possível ele continuar jogando pelo Bahia. Espero, assim como aconteceu com Reinaldo e Jones, que ele suma das relações da equipe.

Carlos Alberto fez o que sempre faz muito: nada. Arisco só de início, prendeu muito a bola, centralizou jogadas e tentou cavar faltas de maneira canastrona. Espero que a ideia do presidente de mantê-lo para 2012 seja apenas uma forma de motivá-lo para esse fim de campeonato.(Algo que não acredito que surta efeito)

Lulinha tentou boas jogadas no primeiro tempo, mas cansou e sumiu no segundo. Também, sempre tinha que correr atrás dos chutões. Aí, não cansar é complicado.

Souza também tinha que se virar com os “gelos baianos” que recebia pra dominar. Ficou difícil jogar pra ele.

Júnior entrou sem a mesma inspiração dos últimos jogos e a marcação dessa vez foi mais concentrada que a dos sãopaulinos. O mesmo vale pra Nikão.

Maranhão entrou só para provar que não consegue ser útil. Vão lembrar da tabela dele com Jóbson no lance do Bahia 3×3 Flamengo e também do gol da virada contra o Avaí que saiu dos pés dele o passe (sem querer) pra Lulinha. É pouco! Ele é jogador limitado de raciocínio, principalmente, e não consigo me sentir bem vendo a torcida gritar seu nome no estádio, pedindo sua entrada em campo.

Joel, para mim, foi o principal responsável pela partida desastrosa do Bahia. Escalou errado, desarticulou a equipe e ainda levou peças erradas para o banco. Pra completar, foi absolutamente infeliz na entrevista coletiva pós-jogo, chegando, inclusive, a exaltar o Palmeiras, como grande equipe (Pra mim, chamar esse time medonho do Palmeiras de grande equipe é o mesmo que chamar o Bahia de “peixe pequeno”).

Bom, matemáticos de plantão há algumas rodadas vêm com um “praticamente” livre e todo mundo vinha fazendo festa. Eu acho até engraçado: qual a função prática daquelas porcentagens sobre chances de cair ou subir, ou ser campeão, ou o que for, no futebol? Daqui para o final da semana tenho certeza que estarei vendo as chances do Bahia cair, que eram de 2%, subir pra 15%, 20%. Isso por causa de um jogo. O que significa que não dá pra levar a sério esse tipo de estatística. Porém, o que se sabe a muito tempo é que não podemos contar com o “quase” como algo definitivo no futebol…. ( e aí me sinto livre da carapuça, porque só comemoro quando o “juiz apita o final”). No futebol não tem essa de “praticamente”. Tem que ratificar, carimbar, confirmar e não ficar se embasando em palpites que não levam em conta o principal atrativo do esporte: o imponderável. Ou alguém acha impossível algum time perder 4 partidas seguidas? Isso não aconteceu ainda com o tricolor, mas pode acontecer (bate na madeira três vezes). Está salvo? Claro que não.

Agora, o Bahia vai jogar contra o Santos uma partida dificílima, precisando ganhar pontos. E, infelizmente, deve precisar decidir sua permanência na primeira divisão na última rodada, contra o Ceará. Com o futebol que o Bahia vem jogando, muitas angústias já me atormentam para esses dois jogos. O Bahia tinha tudo para começar a pensar 2012 já. Agora, com a bênção da prancheta, não sabe nem onde vai estar ano que vem. Voltei a rezar…

Abraço

Internacional? Pra cima dele, Esquadrão!

O tricolor não participa de um torneio internacional desde 1997, quando conquistou a Copa Renner em cima do tradicional freguês rubro-negro pernambucano (confira clicando aqui). Aliás, o Sport é um freguês e tanto do Bahia, já atropelamos a outra cachorra de peruca na campanha do Brasileirão de 59, na do bicampeonato de 88 e também do Nordestão de 2001. Isso que estou lembrando de cabeça, mas vamos deixar esses times de segunda divisão pra lá.

Vamos falar de primeira divisão, times grandes e torneios intenacionais. Nossa última participação em torneios além fronteiras importantes foi justamente em 89, na Libertadores. Naquele ano fizemos uma campanha muito boa e poderíamos ter sidos campeões se não fosse um empate com o Internacional, adversário de logo mais, numa noite chuvosa, onde o esporte jogado era o polo aquático. Batemos na trave em conquistar a América, ficamos em 5°, mesmo sendo o time com menos derrotas, apenas uma (confira aqui). Já imaginou o Bahia com uma estrela extra da Liberta e outra do Mundial?

Sim, Marcos, volte pra realidade. Ok. A realidade é o seguinte, após o último triunfo fora contra o Atlético/GO, estamos a um passo da Sulamericana, um torneio sem o mesmo brilho da Libertadores, mas que pode ser importante mais pra frente. Ironicamente, podemos praticamente garantir nossa vaga para um torneio internacional se vencermos o Inter.

Portanto, esqueçamos o rebaixamento um pouco e vamos olhar pra cima, cada ponto é precioso e temos que aproveitar da “crise” do adversário, pra depois pegar o Palmeiras com mais crise ainda no domingo e carimbar nossa vaga.

Bom, acho que é só, vou nessa, que já estou ansioso pra ver mais um jogo do Baêaço.

BBMP! \o/

P.s: meu palpite? Inter 1 x 2 Bahia. De virada, que nem em 89. E o seu? ST!

Análise Cu de Foca – Atlético/GO 0 x 1 Bahia

Concentração (dentro do campo) ganha jogo.

ATLÉTICO-GO 0×1 BAHIA
34ª rodada Brasileirão

O Bahia venceu um mais um jogo muito particular. Se pegarmos as estatísticas, veremos que a posse de bola do Atlético-GO foi absurdamente maior, as finalizações rubro-negras foram mais que o triplo das tricolores e que o jogo aconteceu todo no campo de defesa do Bahia. Mesmo assim, em poucos momentos o triunfo tricolor esteve ameaçado. Mesmo sem conseguir fazer uma partida no mínimo razoável tecnicamente, mesmo sem conseguir ficar com a bola nos pés, o Bahia mostrou uma qualidade fundamental para competições acirradas: a concentração.

Vai lá que o Atlético-Go não fazia uma exibição exuberante, mas reparando na marcação feita pelo Bahia, fico em dúvida sobre onde termina a inoperância dos goianos e onde começa a competência dos baianos. Foi impressionante, praticamente um exemplo de atenção durante todo o tempo de jogo.

Jogo que começou morno, quase parando, do jeito que o Bahia gosta. Felipe, de titular, conforme eu torci na prévia, deu sua contribuiução para isso. E o Bahia, todo atrás da linha da bola, deixava a peleja bem modorrenta, como sempre. Visível era a concentração da equipe baiana, ligada na movimentação de jogadores como o meia Vitor Júnior, dos laterais Rafael Cruz e Feltri, dos volantes Bida e Marino chegando de trás. Anselmo, entre os zagueiros, pouco aparecia. O Bahia anulava o adversário e o preço disso era se anular no ataque também. Só com quase 5 minutos conseguiu levar a bola ao campo ofensivo, mas sem incomodar muito o Dragão. Os dois times pareciam bem tranquilos, mas a tranquilidade do Atlético era mais dispersa e a do Bahia, atenta. O resultado disso foi o lance decisivo da partida.

Márcio, goleiro rubro-negro, saiu jogando com Thiago Feltri na esquerda. Acostumado com a “maresia” tricolor, o lateral esquerdo do Dragão abaixou a cabeça pra pentear melhor a bola. Dando mostras do show de concentração que viria, Marcos deu o bote na hora certa, tomou a bola, avançou sem marcação e serviu Souza com precisão. O artilheiro tricolor só fez encostar para as redes. 10 minutos, 10 gols de Souza e Bahia na frente.

Depois do gol o Atlético se agitou um pouco mais e começou a forçar mais intensamente a defesa baiana, mas sem grande eficiência. Os contra-ataques encontrando Lulinha livre (que perdeu excelente oportunidade) pareciam indicar que o jogo ia ficar ainda melhor para os baianos. Só que a confusão que envolveu Souza e o zagueiro Gilson mudou tudo. Com os dois expulsos, o Bahia saiu perdendo e começou a praticar um futebol antagônico: bonito sem as bola nos pés, horroroso nos poucos segundos que a tinha. Era “bicuda” para todo lado e bola devolvida aos jogadores goianos a todo instante. Só que apenas em uma tabela que Felipe fez com Anselmo, o Atlético criou chance efetiva, defendida com segurança por Lomba. No mais, esbarrava na firme marcação da defesa tricolor.

Sem Souza o Bahia sequer chegou perto da meta de Márcio no primeiro tempo e por isso, no intervalo, Magno, cansado e pouco eficiente, deu lugar a Nikão, que iria jogar mais avançado, dando opção para os “balões” da defesa. Aí, logo no começo, percebia-se o Bahia com mais condições de agredir. E como o Atlético não recompôs seu zagueiro expulso, os espaços eram generosos. Lulinha teve boa chance em passe de Nikão e não aproveitou. O próprio Nikão, após bela jogada individual, chegou na cara de Márcio e finalizou fraco. O Atlético só ameaçava com chutes, hora fracos na direção do gol, hora sem direção alguma. Lomba e todo o sistema defensivo do Bahia eram muito competentes. Foram poucas faltas cometidas perto da área, poucos dribles tomados. Recomposição rápida e ocupação de espaços consciente. Os laterais ficaram presos para atacar, mas marcavam bem e ainda faziam as vezes de volantes quando necessário. Todos os tricolores cercavam com muito cuidado, sempre esperando a hora certa de tomar a bola, sendo felizes em 90% das vezes. Os cruzamentos eram interceptados com firmeza e nessa toada, o jogo foi chegando ao final. Carlos Alberto entrou e também participou bem do “muro” tricolor à frente da área. Ele foi praticamente um defensor direito, sendo muito importante também na hora de segurar a bola e cavar algumas faltas.

O Bahia perdeu força ofensiva quando Nikão sentiu a panturrilha e ficou em campo só pra fazer número. Posicionado na intermediária esquerda, incomodou bastante os armadores goianos, que a essa altura, davam sinal de esgotamento. O jogo chegou ao seu final e o Bahia não foi verdadeiramente incomodado, em uma exibição (sem Titi, há de se ressaltar) fantástica do sistema de marcação. Garantiu os três pontos em cima do que sempre se propôs com Joel: jogar por uma bola no ataque e anular o adversário no resto do tempo. Conseguiu por apresentar um desempenho lúcido de todos os seus jogadores e trouxe mais dois adversários para a briga contra o rebaixamento: o próprio Atlético-Go e o Palmeiras, que já está, inclusive, atrás do tricolor na tabela. Um resultado excelente, principalmente imaginando que contra o Inter, ainda por cima sem a zaga titular, a história deve ser bem outra. Falta vencer mais um jogo para as chances de rebaixamento sumirem e creio que esse jogo é o do Palmeiras, domingo, em Pituaçu. Esperar pra ver.

Algumas observações:

Grande Lomba. Atuação muito segura, passando uma tranquilidade imensa para o time.

Marcos tomou a bola e deu passe para o gol, mas se destacou defendendo, algo raro para ele. Foi muito bem.

Paulo Miranda me deu a impressão de, involuntariamente, ter cometido um pênalti, mas teve uma bela atuação também. Firme, disposto, atento. Segurança pura. Ressalva para o cartão bobo, recebido por retardar a cobrança de uma falta.

Danny Morais assustou um pouco no início, marcando muito “aberto”, indo para perto de Dodô e dando espaço para penetrações (lá ele) na quarta zaga, principalmente para os volantes rubro-negros. Depois foi muito bem.

Dodô nos últimos dois jogos sumiu ofensivamente, mas rendeu bem demais hoje na parte defensiva.

Os volantes Fabinho e Fahel foram dois “monstros”. Fecharam a entrada da área com muita consistência e ainda flutuavam, hora zagueiros, hora laterais. Tomaram boladas “a torto e a direito”, impedindo chutes de mais distância e foram impecáveis por não cometerem faltas bobas, tão procuradas pelos meias e atacantes goianos. Belíssima exibição da dupla.

Diones foi bem defensivamente, mas destoou um pouco do time, parecia sem força e o menos concentrado, apesar de toda dedicação. Foi bem substituído por Carlos Alberto no segundo tempo.

Magno começou sumido, mas marcando bem as investidas de Marino. Depois nem isso conseguiu fazer. Ficou devendo e foi bem substituído no intervalo.

Lulinha quando é titular parece não ter preparo para jogar os 90 minutos, o que eu acho um absurdo. Fora que perdeu chances preciosas. É um jogador que gosto muito, mas precisa aproveitar melhor as oportunidades de ser escalado de primeira.

Souza era o cara que prendia os zagueiros atleticanos, e bola na frente, esperando a chegada do time nas retomadas. Fez mais um gol e até ser expulso infantilmente, fazia bela partida. Está com crédito, até pelo crescimento de seu futebol no Bahia desde a chegada de Joel.

Nikão entrou muito bem, deu passe preciso para Lulinha e também teve sua grande chance. Quando se machucou mostrou muita raça. Com ele misturando essa determinação com boa técnica e lucidez, faço uma pergunta: alguém ainda vai pedir Jones no time?

Júnior entrou para se sacrificar e brigou como pôde. Trocou boas bolas com Nikão na esquerda, mas era difícil fazer muito mais dentro do esquema proposto no jogo.

Carlos Alberto entrou para fazer valer sua experiência e conseguiu. Se posicionou como um volante pelo lado direito, tentou prender a bola nas saídas para o ataque e até dentro da área pra cortar cruzamento apareceu. Boa participação dele.

Joel está de parabéns pelo sistema de marcação montado, que funcionou caprichosamente no Serra Dourada. E também por substituições precisas, sempre na intenção de continuar com poder ofensivo. Se Nikão e Lulinha tivessem mais competência nas finalizações, o placar seria até mais tranquilo.

Valeu pela conquista do triunfo, do resultado que, somado a outros positivos, afastou 7 pontos o tricolor da zona. Valeu pela lucidez e dedicação de todo o time. O futebol em si foi ruim, não é o que desejamos ver, mas, principalmente a essa altura dos acontecimentos, isso é o que menos importa. O que foi visto no Serra Dourada este domingo é que concentração ganha jogo. Não aquela em que se enjaula jogadores dentro de um hotel. É a concentração dentro de campo, que demonstra compromisso, responsabilidade, vontade de vencer, atenção e respeito ao adversário, qualidades expostas pelo Bahia hoje.

Curiosidades:

O Bahia venceu a primeira no campeonato sem o capitão Titi.
O Bahia venceu a primeira fora de casa sob o comando de Joel Santana.
O Bahia venceu mais uma do Atlético-Go
O Bahia venceu mais uma no Serra Dourada.
O Bahia venceu mais um rubro-negro. Foram 5 triunfos e um empate em 6 jogos.
E para completar: Em um fim de semana em que todos os times goianos e times Atléticos haviam perdido, o de Goiás, enquadrado nos dois critérios, não iria decepcionar né?

Abraço!

Análise Cu de Foca – Bahia 4 x 3 São Paulo

O banco desfibrilador
:: Por Cássio Melo ::

Lucas desestabilizou a defesa do Bahia com uma atuação belíssima (foto: Rubens Chiri)

Seu coração vai bem? Por que o meu, nesse Bahia x São Paulo, deu sinais de pura vitalidade. Um jogo decisivo, que parecia perdido, aliás, muito perdido, encaminhando uma crise provavelmente fatal para permanência do Bahia na primeira divisão, foi revertido de maneira surpreendente, em mais uma demonstração do quão especial é o futebol e porque esse esporte encanta em todo o mundo.

Mas o resultado, fundamental que foi, não pode esconder a realidade do time baiano: teve um desempenho à beira do trágico.

Enquanto o São Paulo foi o time que eu imaginava (vacilante na defesa, mas muito técnico e agressivo no ataque), o Bahia inverteu o que geralmente acontece: errou demais no sistema defensivo, mas atacou muito, principalmente no segundo tempo.

No post anterior eu tinha alertado para o risco de deixar o São Paulo abrir o placar, pois a característica de seu time inteiro é a de jogar em velocidade, no erro do adversário. Eu imaginava que se o Bahia sofresse um gol antes de marcar, o resultado final poderia ser terrível.

Pois o Bahia até começou o jogo de forma equilibrada, mas encontrou um São Paulo disposto, perigoso, que apostava muito em jogadas pelo lado do campo (até Cícero estava correndo bastante), que derivavam para o meio em troca de passes curtos e pouco em cruzamentos. O problema é que desde o início notei Fahel em uma noite ruim e Dodô sem a inspiração que vinha demonstrando nos últimos jogos. Titi também não conseguia encontrar Luis Fabiano e Fabinho, apesar de toda experiência, não conseguia chegar antes de Lucas nas bolas e ficava para trás com frequência. Isso preocupava. Ofensivamente, Souza era o jogador mais incisivo do Bahia. Magno fazia um início de jogo promissor, apesar de um aparente nervosismo e Gabriel praticamente só flutuava e sassaricava.

Aí veio o gol paulista em um lance com detalhes a se observar: primeiro, Dodô tinha a bola à sua feição para jogar pra frente, perto da linha de fundo, mas demorou pra fazer isso e teve que ceder o lateral ao São Paulo do lado da grande área. Depois, após a cobrança para o “nada técnico” Wellinton, Titi sai pra marcar de vez, junto com Diones, toma um “banho de cuia na parceria” com ele e vê o volante paulista acertar bonito na bola, de primeira, e mandar no canto de Lomba. Sombras das trevas misturadas com chuviscos leves na minha cabeça me diziam que aquela noite poderia acabar muito mal após aquele lance.

O Bahia se perdeu, o São Paulo viu o jogo ficar do “jeito que mamãe gosta” e aí Lomba apareceu de forma decisiva já no primeiro tempo. Após Lucas comprometer a coluna de Fabinho na linha de fundo, em uma jogada espetacular, Luis Fabiano, na pequena área, parou no goleiro, que ainda evitaria também um gol de Dagoberto no primeiro tempo. Por falar nele, “Dagol” perdeu a chance de matar o jogo no segundo tempo e a bola puniu. Já já chegamos lá.

Antes vamos ao início “filme repetido” do segundo tempo do Bahia. Primeiro, enaltecendo a atitude de Joel, de mudar no intervalo, algo raro. E mudar bem. Júnior entrou arisco no lugar de Gabriel e com 1 minuto de jogo deu passe pra Souza arrancar ——- Êpa, para tudo: Souza, o “cone”, arrancando?—— Exatamente, Souza recebeu passe de Júnior, ganhou na velocidade, cortou pro meio e bateu seco pra empatar.

“Agora vai”, pensei. Pois nem deu pra arrumar o cabelo depois da comemoração efusiva. Assim como no jogo do Figueirense, o Bahia cedeu um gol logo na sequência. Lucas mandou uma tamancada de respeito, de fora da área (de novo) e Lomba não conseguiu pegar.( Confesso que não formei opinião se houve falha ou não do goleiro do Bahia no lance, pois a bola veio muito rápida). 2×1 para o São Paulo, naquele momento, foi pior que se continuasse 1×0. Com três minutos do segundo tempo, o Bahia tinha conseguido empatar e sofrer outro gol. Anticlímax brutal no estádio.

Aí, o time parecia se perder de novo. Magno, apesar de demonstrar cansaço, tinha se acalmado mais e conseguia tirar dois ou três marcadores do São Paulo e limpar jogadas com a bola nos pés. Mas Joel preferiu tirá-lo. Pituaço fervia em reclamações. Eu até acho que Magno poderia continuar no jogo, mas a intensidade da chiadeira foi desproporcional, pois o meia dava mostras claras de cansaço.

Lulinha entrou e viu, ao pisar no gramado, Cícero chutar da entrada da área (de novo) e botar a bola pra bater numa trave e morrer no outro canto. Aí tenho a impressão que Lomba falhou, mas não foi um frango.
3×1 para o São Paulo, torcida (parte dela) atacando Joel Santana, psicológico do time beijando a grama e o São Paulo com Lucas e Dagoberto correndo e driblando muito. Pareciam querer fazer mais gols. Naquele momento vi o rebaixamento do Bahia como uma realidade. A crise se instalava de vez no clube para demorar a sair.

Nunca fui de ir embora antes do juiz apitar, mas tenho certeza que muita gente só ficou lá por preguiça de “vazar”, pois já tinha uma galera no celular, outra de cabeça baixa sem olhar pro campo. Realmente, parecia um velório (E o carro-maca, com aquela cobertura anti-chuva, ainda me lembrava um carrinho de cemitério).

Aí Diones fez uma falta desclassificante em Lucas, após outro drible perverso e tomou um amarelo, sendo que o vermelho não seria exagero (pelo menos do que vi na arquibancada). Logo Joel, agora com o aval da torcida, tirou Diones e botou Nikão. Confesso outra coisa: Isso não me deu esperança alguma, pois Nikão só jogou bola esse ano nos jogos de primeira fase do Campeonato Baiano e por outro time. Alteração para evitar que o time perdesse alguém expulso, imaginei.

Aí, vem um lance que parece ser o ponto de virada do jogo. Dentro desse clima de enterro, Fahel e Fabinho sobem juntos para cabecear uma bola e não acham nada. Ela sobra limpinha pra Dagoberto invadir a área, livre. Esperei o pior. Ele chuta e Lomba salva. Na sequência, um zagueiro espana a bola e ela cai em pés tricolores baianos. Mais por otimismo do que por algum tipo de premonição, pensei: “um gol desses não se perde, isso pode mudar o jogo”.

Realmente mudou. Depois desse lance, dando a impressão de já ter o jogo ganho, o São Paulo atacava displicentemente. E sua defesa, já sabíamos, não era nenhum eldorado da eficiência. E, verdade seja dita, mesmo no desespero, o Bahia não deixou de acreditar hora nenhuma. Só não era eficiente. Aí, Júnior chuta uma bola de fora da área, ela desvia, beija a trave e….sai. Souza não conseguiu aproveitar o rebote. Nessa hora pensei coisas do tipo: ” É, tem jeito não” ” Com eles a bola bate e entra” .

Só que, para minha surpresa, Nikão, mostrando ser “boleiro”, deu o corpo para o zagueiro do São Paulo, ficou na frente e cruzou pra Lulinha marcar. Uma fagulha de esperança se acendia. E quem conhece torcedor do Bahia sabe que isso basta para os gritos começarem a ecoar. A partir daí, o São Paulo intensificou mais a “malandragem” pra amarrar o jogo. Isso foi motivo de confusão na hora de uma substituição deles.

Em cobrança de escanteio de Marcos que Souza recolocou na área, Fahel, de cabeça, voltou a marcar gol. Estádio em êxtase, empate improvável acontecia. E com apenas 30 minutos do segundo tempo, não dava pra imaginar o que poderia acontecer, até porque o São Paulo ainda era muito perigoso. Aí Júnior faz outro passe pra Nikão, ele ganha de novo na relação corpo x velocidade, na esquerda, cruza e o zagueiro Luiz Eduardo manda errado pra dentro do gol. Difícil descrever o que se passou em Pituaçu nesse momento. Barulho pouco era bobagem. O Bahia renascia das cinzas para vencer um jogo fundamental em sua pretensão de se manter na série A. Depois, finalmente, mostrou competência para amarrar um jogo em que está vencendo. Nikão foi muitíssimo bem na hora de assumir a briga na bandeirinha de escanteio. Três jogadores do São Paulo não conseguiam tirar a bola do lugar. Lulinha também fez isso bem com Marcos. O Bahia fazia o jogo acabar, finalmente, a seu favor. Estádio fervendo de novo, agora positivamente. Três pontos que ajudam muito na tabela e que, em termos psicológicos, podem ter encaminhado decisivamente a permanência tricolor na primeira.

Algumas observações:

Começar pelo São Paulo: Rogério Ceni fez muita falta. Não necessariamente como goleiro, mas como líder. O São Paulo, dando 3×1, não teve quem “freasse” o ímpeto do time e acabou se expondo. Três dos gols do Bahia foram feitos em velocidade, em lances que o tricolor paulista estava avançado. O tricolor baiano se aproveitou disso.

Agora o Bahia: Lomba sofreu gols questionáveis, mas em nenhum deles eu tenho plena convicção da falha. E pelas defesas que fez em momentos cruciais, dá para considerar sua participação como muito positiva.

Marcos teve muita personalidade mas foi irregular e deu espaço em suas costas. Também deu mais qualidade às bolas paradas do tricolor baiano.

Paulo Miranda esqueceu o Maldini do nome e jogou sério. Talvez a polêmica envolvendo sua provável ida para o São Paulo em 2012 o tenha convencido a não dar sorte pro azar. Melhor assim.

Titi não foi bem ontem. Tomou um cartão amarelo bobo, após ser “ludibriado” por Luis Fabiano e falhou também no primeiro gol do adversário, ao ir de vez junto com um companheiro numa bola de lateral, entregue a um volante. O zagueirão tricolor também entrou na “vibe” do desespero dos companheiros e não passou a costumeira segurança.

Dodô virou abóbora ontem. Parecia displicente e acabou não rendendo o esperado.

Fabinho sofreu com Lucas. Aí é uma questão de limitação física. Não teve como acompanhar e isso comprometeu muito sua atuação. Seu posicionamento, muito colado aos zagueiros do Bahia, também me deixou angustiado. De positivo, sua dedicação.

Fahel jogou uma das suas piores (senão a pior) partidas pelo Bahia. Aliviou sua barra fazendo o importantissimo terceiro gol e pela dedicação. Mas errou quase tudo que tentou.

Diones falhou no primeiro gol e fez uma falta desclassificante. No mais, foi irregular, errando mais que acertando.

Magno fez uma boa estreia, apesar de ter faltado algo relevante como uma assistência ou um gol. Fica como uma esperança para ser o meia do time, pelo menos até o final do ano.

Gabriel é talentoso, mas segue sem me convencer. Pra mim, antes de qualquer nova oportunidade, ele deve treinar com bola cheia de areia, pra aprender a chutar com força. O Bahia não pode ter atacante com esse tipo de deficiência e querer se manter em primeira divisão.

Souza fez uma bela partida. Suou sangue, realmente, como prometeu durante a semana. E não só isso, também apresentou técnica, velocidade e boa finalização. Pra mim, sua melhor partida pelo Bahia. Foi o único titular que correspondeu às expectativas em cima dele. Na verdade, até superou as minhas.

Souza chuta pra marcar seu gol (Foto: Antonio Alvim)

Júnior entrou e contribuiu muito para mudar o resultado. Sua partida, na minha opinião, também foi a melhor pelo Bahia, com passes precisos, atitude de quem quer vencer. Não precisou nem fazer gol.

Nikão, outra surpresa. Velocidade, força, objetividade e muita dedicação. Além dos lances de gol que criou, ao final da partida, fez o que se deve fazer . Prendeu a bola na linha de fundo com primor. Decisivo, como eu nem sonhava.

Lulinha, daquele jeito arisco, sempre mostra eficiência. E deixou mais um na conta. Bela participação também.

Joel, definitivamente, é um cara de estrela. Mudou no intervalo, algo que é muito raro e deu resultado logo. Quando tirou Magno, viu a responsabilidade do resultado ser direcionada para si por quase todo o estádio. Aí, tirou Diones e botou Nikão. Todos os jogadores que entraram corresponderam e o time conseguiu um resultado excepcional, com participação direta dos suplentes. Entra para a história do Bahia mais uma vez ao conquistar um resultado inesperado. É, inegavelmente, um vencedor por natureza.

Pois bem. O banco do Bahia, tal qual um desfibrilador, foi responsável por reanimar o time e levar o tricolor baiano a fazer mais uma das suas. À beira da morte, conquistou uma virada heróica, improvável, surpreendente, no jogo que muita gente vai querer contar para filhos, netos, sobrinhos e por aí vai. Mas o desempenho do time, de forma geral, não foi bom. O que podemos destacar de positivo é a dedicação dos jogadores, e só. Pelo menos, o poder de reação, desaparecido de outrora, deu as caras. E pode servir de motivação para o restante da competição. É preciso pés no chão para perceber a gravidade da situação ainda e seguir firme para dois jogos fora de casa. Trazer pontos da “excursão” é fundamental para o desespero não voltar.

OBS 2:

Para quem não sabe, desfibrilador é um aparelho portátil usado para conter arritimias ou reanimar alguém que sofreu alguma parada cardíaca. Ficou famoso por se tornar obrigatório em campos de futebol depois do caso “Serginho”, quando o zagueiro do São Caetano, infelizmente, teve problemas no coração e faleceu em campo, em 2004, numa partida contra o próprio São Paulo, no Morumbi. Depois disso, o desfibrilador já ajudou muito atleta a continuar vivo e saudável.

Abraço