#ForaNininho (por Hailton Andrade)

Nininho, garoto apaixonado por futebol. Bacuri mimado fanático pelo Sport Club Tororó, clube presidido por seu pai, o famoso Ninho. Não importa quantas vezes o time precise jogar a seletiva do intermunicipal, o clã diminuto jamais arreda o pé e promete fazer a turma do Tororó vibrar um dia. “Nosso time vai ser grande”, promete o presida. Assim como seu coroa, Nininho também sempre se ligou nas artimanhas da gestão peladeira. Nunca foram bons de bola, razão que explica porque o interesse pela redonda surgiu de outra forma. Tal pai, tal filho, como deve ser.

Enquanto Ninho tomava conta das coisas sérias e se preocupava com os novos uniformes da sua equipe para o próximo duelo interbairros, Nininho treinava a gestão esportiva em casa, jogando o famoso Championship Manager, CM para os íntimos. No computador, ele simulava treinar clubes, mas tinha obrigações administrativas, como contratar e manter os cofres equilibrados. Nininho era fera. No game, criou o homônimo Sport Club Tororó, desbravou o certame baiano à frente do computador, todas as séries do Campeonato Brasileiro e um dia chegou ao título mundial, batendo o Bayern de Munique na final.
Continuar lendo

O Cordel da Revolta das Caxirolas (por Franciel Cruz)

Peço licença aos senhores
Neste exato momento
Para narrar uma história
Sem nenhum comedimento
De um bizarro artefato
Feito pra enganar jumento

Desculpem minha imodéstia
Mas posso tudo contar
Pois no dia vinte e oito
Fui testemunha ocular
Estava na Fonte Nova
Só não dei sopa pro azar

Logo na entrada do estádio
Um meganha me parou
Segurou meu guarda-chuva
Prendeu e não liberou
Porém ele deixou livre
Aquilo que Brown plagiou

Continuar lendo

O BAHIA, OS COELHOS E O CTB – por Revolução Tricolor

E eis que a atual direção do Bahia mais uma vez tira outro coelho da cartola, desrespeitando a torcida e emporcalhando ainda mais o seu currículo à frente do clube.
Durante a última assembleia de sócios, após rejeitar inúmeros pedidos de medidas que garantiriam um Bahia mais democrático, a diretoria aparentemente se dispôs a ceder para um único avanço: o de que todos os que comprassem o TOB, antigos e novos, tornassem-se equivalentes a sócios patrimoniais com o pagamento da mensalidade e sem ser preciso adquirir a joia do título. Continuar lendo

“Yes, we can….. fuck you”?

barackobina

Já está rolando resenha em torno da possível contratação de Obina. Se ele realmente vier para o Bahia eu acho que não vão faltar piadas pra gente fazer, afinal, carisma, pelo menos, o cara tem.
Essa imagem que me mandaram mostra que a galera começou cedo, rs. O título do post é inspirado numa expressão espontânea de Padre Quededo, ilustre torcedor tricolor e amigo meu, quando opinou sobre esse possível reforço pro nosso ataque.

Agora, o papo sério: Se for mesmo contratado, Obina é bom ou ruim pro Bahia? Você acha o quê? Derrube aê!

Tem dono! – por Éder Ferrari

por Éder Ferrari

Infelizmente – felizmente também –não pude comparecer a Assembleia Geral de sócios, que aprovou algumas mudanças no estatuto do Esporte Clube Bahia. Até estou em Salvador e queria muito comparecer, mas compromissos de trabalho me impediram. Pelo Twitter e por mensagens no celular, fiquei sabendo o que rolava na antiga sede de praia tricolor. Sentirei eternamente essa falta, porém, responsabilidade é responsabilidade. No entanto, a ausência não me impediu de ficar sabendo dos detalhes. Depois de ouvir várias pessoas presentes, cheguei à conclusão que sempre tive dessas reuniões: tudo que aconteceu já estava previamente ensaiado. Quase nada ocorreu por acaso. No final da história, o Bahia segue, mais do que nunca, com donos fora das arquibancadas. Continuar lendo

O quarto poder

Uma das profissões que mais admiro é a de jornalista. Os bons profissionais da área são essenciais para a sociedade e a democracia, tanto é que em todas as ditaduras procuram calar a imprensa, pois sabem o poder que ela tem. Um deles é o de fiscalizar, fazendo denúncias do que anda acontecendo de errado.

A editoria de política é capaz de mudar o destino do país, como já vimos aqui mesmo no Brasil. Porém, os bons profissionais ligados à área esportiva também fazem um belo trabalho. Juca Kfouri ou o tricolor Bob Fernandes, por exemplo, se destacam pela combatividade em relação às sujeiras que insistem em habitar o esporte nacional.

Aqui na Bahia, como em todo lugar, temos os bons e péssimos profissionais. Os bons lutam por mais transparência e profissionalização dos nossos clubes, divulgam notícias reais e denunciam problemas, estes recebem notas de repúdio da diretoria ou são agredidos sem o menor pudor por pessoas que tem um emprego no clube.

Já os péssimos profissionais fazem o jornalismo mundo-cão, regados de mentiras, que atingem até profissionais ilibados como nosso goleiro e não ouvem um pio de reclamação, pelo contrário, são festejados, recebem informações privilegiadas e não sei mais o quê…

Quem ama o Bahia, tem a obrigação de defender a boa imprensa esportiva do estado. De cabeça aqui, lembro-me de Nelson Barros Neto, Elton Serra, Clara Albuquerque, Eric Luís Carvalho, Marcelo Santana, Darino Sena, Tiago Mastroiani, Felipe Santana, Jiovani Soeiro, Miro Palma, Raphael Carneiro, Éder Ferrari, Pedro Sento Sé e André Uzeda. Este último escreveu o texto impecável que vocês conferem abaixo ou clicando aqui.

—————————————————

Agressões no Twitter

Por André Uzeda

Na noite de sexta-feira (28/9) estava na redação, fechando uma das últimas páginas do caderno de esporte que viria a rodar no domingo seguinte, quando começo a receber mensagens na conta que mantenho no Twitter. A primeira delas veio do sr. Bruno Brizeno, funcionário do Departamento de Futebol do Esporte Clube Bahia, mandando eu tirar “a cara de viado”. Outras foram se sucedendo em um curto espaço de tempo. Uma delas, sem me citar diretamente na rede social, do sr. Sérgio Queiroz Bezerra, conhecido como Kabrocha, braço direito do presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho (ex-deputado federal pelo PMDB), e espécie de “faz tudo” dentro do clube, que me xingava de “maconheiro mirim”. O irmão do presidente, sr. Marcos Guimarães, que, entre íntimos, também atende pelo apelido de Telefunken, escreveu que eu fumava maconha para curar o “corno da namorada”.

Neste ínterim, entre absorver as agressões virtuais e indagar, também via Twitter, aos meus detratores se aquilo seria uma ameaça, criaram um perfil falso com meu nome, no qual continuaram a atacar minha honra. Na própria definição do perfil falso isso já ficava bem claro: “Fake do jornalista do A Tarde. Usuario de entorpecentes. Fã da erva. E não apenas mais um rostinho bonito! Um usuario felizz! legalize jaaaa!”

As ofensas passaram então a ser encaminhadas para meu perfil falso. Com o sr. Brizeno dizendo até que “o doce dele ta guardado. Vai cair no meu colo. Essa boneca” e mesmo que “Ousadia, o viadinho tem muita, eu quero vê é depois, qdo tiver largado. O q é q vai fazer”.

Matérias de bastidores

O que mais me espantou na história, porém, partiu de dois outros personagens que preferi guardar para este momento do relato. Participou também das agressões verbais o sr. José Eduardo, conhecido como Bocão, radialista da Itapoan FM e apresentador do programa policial Se Liga, Bocão!,na TV Itapoan(afiliada da Record na Bahia). Assim escreveu ele, ainda naquela longa noite de sexta-feira, sem direcionar a mensagem: “Odeio jornalista esportivo vagabundo! Esse mané vai aparecer na minha e vai levar piau”. Depois lançou um trocadilho barato com meu sobrenome (Uzêda): “O que fazer com jornalista maconheiro? Prende ou deixa Azedar?”Mais alguns segundos e o sr. Luis Gustavo Alves, irmão de José Eduardo e um dos diretores do site de notícias Bocão News, também passou a dirigir palavras pouco simpáticas a meu respeito: “Só anda no Rio Vermelho queimado fumo”, disse ele.

Achei logo estranho que um profissional da imprensa participasse de um conluio para prejudicar outro colega que milita na mesma profissão. Há alguns meses venho publicando matérias que trazem à tona os bastidores do Esporte Clube Bahia. Em junho deste ano, o jornal A Tarde divulgou, em matéria assinada em parceria minha com o jornalista Daniel Dórea, uma reportagem investigativa levantando pontos na negociação de um jogador da base do clube, que teve, de forma pouco transparente, 20% do seu passe destinado a um empresário que recentemente entrou para o mundo do futebol. Com a transferência deste jogador para Portugal, o empresário recebeu mais de R$ 1 milhão pela transação.

Uma semana antes de começarem as agressões, tive acesso às contas do clube, referentes ao ano de 2011, e veiculei uma notícia revelando que o Bahia tinha fechado a temporada com débito de R$ 18 milhões no caixa, o que depois foi confirmado pela própria diretoria em seu site oficial. Fui autor também de matérias, ano passado, que mostravam problemas na formação do conselho que reelegeu Marcelo Guimarães – apontando a escolha de conselheiros irregulares, de acordo com o próprio estatuto do clube, e substituição de 58 outros nomes por suposta preferência política.

Dúvidas não respondidas

Isso talvez explique a fúria dos funcionários do Bahia que atacaram minha honra, embora não justifique a ação. O que não se entende e nem se compreende é a cólera de dois profissionais da imprensa neste mesmo caso. Naquela mesma sexta, consegui o celular do radialista José Eduardo e liguei para ele, a fim de que respondesse à mesma pergunta levantada aqui neste texto. A conversa foi nervosa, recheada de palavrões por parte do radialista, que afirmou que “resolvia as coisas pessoalmente e se quisesse poderíamos nos encontrar naquele exato momento para nos entender”. Quando rebati dizendo que só uso dos meios legais para solucionar qualquer tipo de pendência, ele debochou: “Tenho mais de 180 processos. Um a mais não fará a diferença.”

O ponto mais importante da conversa – qual seria a razão de um profissional da imprensa ofender um colega que publica informações que envolvem diretamente a vida de clube de massa – não chegou a ser respondido. O radialista limitou-se a dizer que eu “estava me achando muito estrelinha”… Não, não acho que a imprensa deva ser corporativista e apoiar qualquer material publicado por outro veículo, até por questão de concorrência e diferentes ideologias do campo jornalístico, mas entendo que existem formas de se fazer qualquer tipo de contestação. Apresentar uma matéria levantando outro enquadramento, outro ponto de vista, cobrir eventuais buracos deixados na apuração da empresa concorrente, enfim… Ofender a honra e atacar covardemente um colega, em conchavo com funcionários de um clube, não parece ser a opção mais ética, além de levantar dúvidas sobre a estreita proximidade que um profissional da imprensa pode vir a manter com um cartola e seus asseclas.

No intuito de ter alguma de minhas dúvidas respondidas, seja pelo presidente do Bahia, pelos funcionários detratores ou mesmo pelo radialista e seu irmão, aqui escrevo ocupando este nobre espaço.

***

[André Uzêda é jornalista]

Transparência. Pra quê?

Pesquisa coloca Bahia entre os 5 clubes menos transparentes do Brasil
Por Elton Serra :: Blog iBahia F.C.

Se o Bahia tenta, dentro de campo, se recuperar rodada a rodada das últimas colocações da Série A – e até agora obtém êxito -, no campeonato da transparência o clube já está “rebaixado”. De acordo com pesquisa feita pela Pluri Consultoria, o Tricolor está entre os cinco clubes menos transparentes do Brasil.

Foram pesquisados os 32 times mais populares do país, e o Bahia ficou com a 28ª colocação, empatado com Guarani, Paysandu e Vila Nova, e a frente apenas do Ceará – os cinco foram os únicos que tiveram pontuação negativa no ranking.

A fim de medir o grau de transparência das agremiações, a Pluri avaliou itens como: disponibilização dos balanços do clube no site oficial e facilidade em encontrá-los; publicação de estatuto, organograma, relatórios anuais e orçamentos; além de atrasos na publicação dos balanços em relação ao que diz a legislação. O Tricolor foi reprovado em praticamente todos.

O Bahia não havia publicado seu balanço referente ao exercício de 2011 até o dia 1º de agosto, data em que foi fechada a pesquisa – o documento só foi disponibilizado um mês depois, quando deveria ter sido no último dia de abril, conforme reza o próprio estatuto do clube. Além disso, a Pluri não encontrou nenhum balanço anterior ao de 2011 disponível no site oficial. O Bahia também não publica o parecer dos auditores, nem tem frequência de publicação dos documentos.

O único ponto que não fez o Bahia ser considerado o menos transparente do Brasil foi o de ter publicado, em seu site oficial, o estatuto do clube. Em contrapartida, organograma, orçamento e política de governança são desconhecidos do público. Ao final da avaliação, o Tricolor recebeu a pontuação de -5 e, junto com Atlético-PR, Ceará, Fortaleza e Paraná Clube, é o clube dentre os 32 que atrasou a publicação do último balanço.

Vitória – O Rubro-negro baiano recebeu nota 40 na avaliação dos clubes mais transparentes do Brasil. Porém, está longe do ideal – é o 12º colocado, empatado com o Avaí. De acordo com a Pluri Consultoria, o Vitória disponibilizou o último balanço dentro do prazo, mas com um nível de informação considerado “médio”. Além disso, a diretoria, assim como o Bahia, não publica orçamentos, organograma, relatórios anuais e política de governança.

Top 10 dos clubes mais transparentes do Brasil
(Fonte: Pluri Consultoria)

1º Corinthians, 97 pontos
2º Santos, 89 pontos
3º Fluminense, 81 pontos
4º Palmeiras, 63 pontos
5º Coritiba, 57 pontos
6º Atlético-PR, 53 pontos
7º Vasco, 51 pontos
8º Botafogo, 48 pontos
9º São Paulo, 45 pontos
10º Grêmio e Paraná Clube, 44 pontos

12º Avaí e Vitória, 40 pontos
14º Internacional, 35 pontos
15º Flamengo, 33 pontos
16º Cruzeiro e Figueirense, 30 pontos
18º Atlético-MG, 28 pontos
19º Portuguesa, 25 pontos
20º Atlético-GO, Náutico e Ponte Preta, 20 pontos

Os dez clubes menos transparentes do Brasil
(Fonte: Pluri Consultoria)

23º Santa Cruz, 15 pontos
24º Goiás e Sport, 10 pontos
26º Remo, 5 pontos
27º Fortaleza, 3 pontos
28º Bahia, Guarani, Paysandu e Vila Nova, -5 pontos
32º Ceará, -15 pontos

Nada como ir ao estádio!

Comentei no Tuiter que o jogo do Bahia amanhã passará na ESPN e no SPORTV, mas falei também que não há nada melhor que ver o jogo no estádio, apesar de já ter ido mais de 300 vezes não me canso. Aí o sacaneta do Nelson Barros me passou um texto genial de Flavio Gomes, torcedor da Lusa (nosso rival na próxima fase, se Deus quiser), que fala sobre várias coisas que penso (inclusive ele estará no Bahia x Remo). Além das belas palavras, é um verdadeiro tapa na cara dos torcedores de radinho e PFC que só dão volta olímpica dando voltas ao redor da TV. Deliciem-se com o texto e vamos lotar Pituaço! ST!

CAIU, LEVANTA

O rebaixamento da Portuguesa ontem tem responsáveis óbvios e muitos culpados, como sempre há nas grandes derrotas. Não vou ficar aqui apontando o dedo e nominando cada um. Faço isso na arquibancada. Farei no próximo jogo, que será pela Copa do Brasil, contra Remo ou Bahia. Copa do Brasil que venceremos, garantindo vaga na Libertadores do ano que vem para jogar a final do Mundial no Marrocos.

Estou triste, claro, mas não envergonhado. Vergonha de quê? De torcer para um time? A malta de babacas que ontem e hoje se manifestou nas redes sociais não me incomodou. Aliás, é curiosa essa nova subcategoria de torcedor: o torcedor das redes sociais. Que fazem parte também da categoria um pouco maior, que é a do torcedor do pay-per-view. Essa criançada que nunca foi a um estádio na vida. Vergonha nenhuma. A bandeira da Lusa está na janela de casa, como esteve durante algumas semanas no fim do ano passado, quando fomos campeões brasileiros. Eu tenho bandeiras. Comprei nos jogos. Poderia ter comprado pela internet, também, mas comprei nos jogos.

O problema dessa garotada é seu total e absoluto desconhecimento do que quer que seja. São profundos especialistas em Facebook, Twitter e Instagram, mas da vida nada compreendem. Conhecem os personagens do “Pânico”, gargalham com “memes”, têm no YouTube sua principal fonte de informação e inspiração.

Pois eu explico o que está acontecendo com o futebol brasileiro, e a partir dessa realidade é mais fácil entender por que alguns clubes que têm história e tradição subirão e cairão com frequência daqui para a frente, até que sejam eventualmente extintos e virem apenas memória.

Nesse futebolzinho mequetrefe de hoje, que muitos jovens creem ter-se inspirado no Playstation, inventado depois do videogame, não há times bons. Há times ricos. É preciso ser muito obtuso para morrer de orgulho de um time que só é forte porque tem capacidade de gerar receita. Capacidade essa diretamente ligada aos índices de audiência que obtém nas transmissões da TV — que, por sua vez, determina quem deve ganhar mais dinheiro e, portanto, quem vai vencer mais. Aparecendo mais na TV, a chance de fechar patrocínios melhores também cresce, e assim se cria um círculo vicioso que tira do futebol sua natureza esportiva e o transforma em um mero negócio. E assim temos Jontex x Unimed, BMG x Banrisul, KIA x Netshoes.

Há muita gente, jornalistas, inclusive, que se deliciam com a falência do que costumo chamar de “futebol de raiz”. Sonham com uma liga hiper-mega-ultra-profissional no Brasil que se limite a 20 clubes — uns dez que se pretendem barcelonas, chelseas, manchesters ou reais madrid, e uns dez sacos de pancada para fazer figuração. Aqui, lembro que minha Portuguesa, circunstancialmente, pertence a essa elite babaca em 2012. É um dos 20. E como jamais se pretenderá um barcelona, estará entre os dez sacos de pancada da Série A.

Será “escada” para os gloriosos gigantes, porque o que vai decidir quem será o campeão brasileiro de 2012 não é a eventual capacidade de um clube de formar um time bom, que jogue bonito, que tenha alguma filosofia desde o nascedouro. Um Barcelona de verdade. De qualquer forma, a Portuguesa não tem nada disso faz tempo, o que também não importa — os anos 50 e 60 estão meio século atrás de nós. E mesmo se tivesse, sucumbiria à receita que a ela será destinada pela TV, quando comparada àquela que será entregue aos times que terão seus jogos transmitidos ao vivo para gáudio da turma que vive de ibope.

Por isso que digo que uma Série B é muito mais divertida para quem gosta de futebol de verdade, e não de anúncios de camisinha ou de setores VIP em estádios, até com pulseirinha para entrar — enquanto do lado de fora, nas estações de trem e metrô, tontos se matam em nome de gangues que surgiram para torcer para um time, e hoje torcem por elas mesmas, para ver quem mata mais.

Ano passado, o orçamento da Portuguesa não era muito maior que o do Goiás, ou do Vitória. A coisa é mais equilibrada e, meio sem querer, montou-se um time excelente, encantador, que deu certo e foi campeão. Foi um título conquistado em igualdade de condições com a maioria dos adversários. Tem um valor muito maior — para quem gosta de futebol, insisto — do que qualquer conquista amparada por receitas que em muitos casos são dez vezes maiores que a dos rivais. Um time que recebe 10 milhões por ano da TV nunca vai se impor a um que receba 100. Nisso, o futebol é meramente matemático, não há surpresas.

O futebol que aprendi a amar, aquele dos anos 70 e 80, não existe mais no Brasil. A Portuguesa foi campeã paulista em 1973, vice em 1975, campeã da Taça Governador do Estado em 1976, finalista do primeiro turno do Paulistão em 1980, num tempo em que os clubes tinham tanto dinheiro quanto conseguissem arrecadar formando e vendendo jogadores. Seu resultado em campo era diretamente ligado à capacidade de montar bons times com recursos próprios, sem ajuda externa determinada por uma emissora de TV, que hoje escolhe quem pode e quem não pode ganhar. Nessas fotos aí em cima, aparecem jogadores como Félix, Djalma Santos, Julinho, Marinho Perez, Basílio, Enéas, Ivair, Leivinha, Zé Maria, Luís Pereira, Edu Marangon, e muitos outros que os mais antigos saberão identificar.

Hoje, o corintiano e o flamenguista, por exemplo, não precisam se preocupar com eventuais tragédias como um rebaixamento. Escrevam: a última desgraça de um desses que vocês chamam de “grandes” foi a queda do Vasco. O formato atual do futebol brasileiro, com sua distribuição desigual de dinheiro, é um antídoto quase infalível a essas tragédias. “Quase” porque, claro, sempre há uma remota chance de dar uma merda federal, como quase deu com o Santos em 2008 (não caiu por um ponto), ou com o Cruzeiro no ano passado (se safou na última rodada). Serão deslizes cada vez mais raros, e vai ser preciso muita incompetência para cair com uma conta bancária tão robusta.

Campeonato Brasileiro, hoje, graças ao que a TV determina e os clubes aceitaram, é aquela festinha chique para a qual muita gente dá a vida para ser convidado, mesmo sabendo que será escanteado até pelo garçom. E por isso o futebol de verdade está acabando. Por isso que os times do interior de São Paulo estão morrendo, assim como os do interior do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Minas… Morreram os grandes dos subúrbios cariocas, agonizam grandes como Portuguesa, Américas (do Rio e de Minas), comem o pão que o diabo amassou os gigantes do Norte-Nordeste.

Não me importo muito. É claro que a tristeza por um rebaixamento é imensa, tanto maior quanto for o amor que se tem por um clube. Mas é nesses altos e baixos que se vive aquilo que o futebol tem de melhor: a capacidade de ser uma metáfora da vida como ela é. Exatamente um ano atrás, eu estava eufórico porque a Lusa se classificou para a fase final do Paulista. Escrevi algumas linhas. Fiquei feliz como poucas vezes na vida, mas logo depois veio a derrota para o São Paulo e a eliminação. E, depois, a campanha da Série B. E, depois, a queda de ontem. Alegria, tristeza, alegria, tristeza. O que é a vida, afinal? Esse sobe-desce, ou essa euforia empastelada e permanente que os apresentadores de esportes na TV tentam nos enfiar goela abaixo?

Meus dois meninos sofreram ontem. Meu pai também. Cada um a seu modo. O mais novo, que sempre fica com muita raiva nas derrotas, disse que iria trocar de time. Depois, se arrependeu. Mas continua zangado. O mais velho, que na escola é conhecido como “Lusa”, fez questão de dizer que iria “vestir o manto” hoje porque nunca vai se envergonhar do time que escolheu para torcer. Sim, eles escolheram. Eu os levo a campo desde que eram de colo, mas sempre puderam escolher. E sua escolha é motivo de orgulho para mim, porque escolheram aprender a ganhar e a perder. A não pertencer a nenhuma manada preguiçosa que só se importa em bater no peito para dizer “ganhamos”, sem perceber que nunca ganharam nada, não fazem parte daquilo. Veem tudo a distância em TVs de LCD, Optaram pela via mais fácil de se sentirem vencedores: se apropriando das vitórias de algo que só faz parte de suas vidas quando chega a fatura dos canais pagos.

Meus meninos, e os milhões de torcedores disso que vocês chamam de “pequenos”, não. Nós podemos bater no peito e dizer “ganhamos”. Mas sabemos dizer, também, “perdemos”. Fazemos parte daquilo de verdade. Quando nos vemos numa arquibancada distante debaixo de chuva ou de sol, com nossas camisetas da sorte, o boné desbotado, a calça meio rasgada, o tênis velho, a bunda no cimento, temos a completa noção de que fazemos parte daquilo. Ganhamos e perdemos junto.

A Portuguesa caiu, fizeram um monte de cagadas no campeonato, o clube é uma desgraça comandada por beócios, mas a vida segue e o futebol, também. Semana que vem tem jogo, tem mais vida pela frente. Para ganhar ou perder de verdade, sem controle remoto na mão.

Leia o blog de Flavio Gomes clicando aqui.

P.s: discordo de Flavio no trecho que diz que a Lusa vencerá a Copa do Brasil. Todos nós sabemos que ela é freguesa do Bahia. Este sim será o campeão! BBMP!

#ChupaTVBahia

Criatividade

:: Por Eder Ferrari ::

Não quero entrar em um “cavalo de batalha” com a Rede Bahia e nem posso. Entendo os motivos de, em cima da hora, a transmissão de Auto Esporte x Bahia não ter ocorrido. Entretanto, faltou ao veículo o que tanto cobramos dos clubes: planejamento. A CBF disponibilizou a data e o horário pensando na afiliada baiana da Globo desde o dia 13 de dezembro. Ou seja, quase três meses antes do duelo, o que daria tempo de sobra para buscar produtoras locais ou próximas com o “padrão global”. Deixou para os acréscimos do segundo tempo e se viu em uma enxurrada de críticas. Nada mais natural à pedra virar vidraça de vez em quando. Espero apenas que não comam mosca novamente. Acaba levando culpa quem não tem.
Como eu sempre procuro ver o lado bom das coisas, esse mal achou um bem dos mais divertidos. Claro que a proporção para os milhões de telespectadores é mínima, porém a criatividade do protesto foi sensacional! O resenheiro Marcos Carneiro, figura conhecida dos tricolores pelo blog BBMP e pela participação marcante no filme Bahia Minha Vida, não pestanejou e se picou para João Pessoa em cima do laço. O jogo quarta, e o amigo de Bolota da Bahia decidiu que iria para a Paraíba na segunda. Armengou uma transmissão via twitcam pelo celular ou tablet, sei lá, e fez muita gente cair na risada em frente ao computador.
Como na própria descrição do blog eles já avisam que o conteúdo é “inapropriado para vices, pudicas e menores de idade”, foi bom ter tirado as crianças da sala. Com o jeito esculhambado, sobraram provocações a TV Bahia e aos meus amigos Darino Sena e Thiago Mastroianni, coitados, que não têm culpa nenhuma do fato, mas se lascaram do mesmo jeito. Marcos e alguns amigos, não economizaram no vocabulário baianês de estádio. Quem vai sabe como é! Talvez não tenha sido um fato inédito, mas foi tão bom, que parecia coisa de Albert Einstein! Caminho aberto para novas transmissões. Futebol, resenha e provocação não podem andar separados nunca! Abrace essa oportunidade, “rebanho de xibungo”!
Sobre o jogo, como passei a maior parte do tempo rindo e a imagem era uma carniça, não deu para acompanhar muita coisa, apesar da galera dizer que o time estava meia boca. O bom é que, mesmo um nível abaixo na atuação técnica e coletiva – contra o Fluminense de Feira também foi assim – o Bahia está sendo eficiente para fazer o resultado. São muitos desfalques, gramados ruins e jogos em sequência. A queda da produção é natural. Por isso o 3×0 sobre o Auto Esporte foi de extrema importância. Com a eliminação da partida de volta na Copa do Brasil, Paulo Roberto Falcão terá pela primeira vez uma semana livre para descansar, trabalhar, recuperar e preparar o elenco para o Campeonato Baiano. Fica melhor ainda, quando se tem o Ba-Vi, no Barradão, como o próximo duelo.
Eder Ferrari é colunista do site Bahia Notícias.


AVAÍ X BAHIA: Sem favoritos. Sem Robin Hood

O texto abaixo é do sacana do Cássio Melo, copiado e colado daqui: De fora é minha F.C. (clica aí que tem coisas boas, apesar desse nome sem “lá ele”. Lá tem o anúncio da promoção do Avaí convocando a galera). Concordo com quase tudo que Cássio escreveu, exceto o placar. Pra mim será Avaí 0 x 2 Baêa! Leia aí e chute o seu:

Lá vem um jogo encardido pro Bahia. Claro que não existe jogo fácil na Série A (só aquele primeiro contra o América-MG, que mal entrou em campo), mas esse jogo do Avaí é muito complicado. O time de René vai encontrar um frio muito forte, a pressão da torcida – que deve aparecer devido a uma promoção feita pela diretoria – e um Avaí motivado pra conquistar o primeiro triunfo depois de dar sinal de vida contra o Grêmio (empate por 2×2 no Olímpico, com gol sofrido nos acréscimos do 2º tempo).

Se não bastasse esses fatores, o Bahia também tem que enfrentar sua síndrome histórica de Robin Hood – É comum o Bahia fazer grandes jogos contra os times mais fortes e apresentações pífias contra times mais fracos. Por isso, a confiança expelida pelo grupo e pela torcida deve ser observada pra não passar do ponto.

O tricolor ganhou suas duas partidas em cima de times que vinham de momentos instáveis e, como já disse antes, aproveitar isso é um mérito. Mas nesses dois jogos, o Bahia não entrou com essa “aura de favorito” que se instalou depois do jogo contra o Corinthians. E isso que me preocupa. Ou mantém a “faca nos dentes”, olha pro Avaí como o um time que está nas cabeças, respeitando mesmo, ou vai perder o jogo.

O Bahia precisa ver assim a classificação antes desse jogo.

Tenho uma observação para a escalação que René deve mandar a campo: Com Ávine vetado, Marcos era meu predileto, mesmo improvisado, pra jogar no lugar de Dodô. Marcos jogou no Avaí ano passado, conhece bem o campo, o adversário e pode se sentir à vontade lá. Além disso, as últimas participações dele no time me agradaram. Já Dodô não joga há algum tempo e mal figurava no banco de reservas. Pode parecer peixe fora d’água e complicar (quero ressaltar que vejo em Dodô potencial para virar um bom jogador, mas ele é muito novo e não passou confiança na maioria dos jogos que fez pelo time).

Quanto ao Avaí, ainda é um time desestruturado. Perdeu Marquinhos, sua referência em campo, para o Grêmio, Renan, goleirão, pro Corinthians e Silas, técnico de muita identificação com o Leão da Ilha (de Floripa) para o mundo árabe. Levou o Pedro Ken, (que não quis vir jogar no Bahia) pra tentar superar as perdas, mas não considero suficiente. Apresentou três jogadores na segunda-feira: Rafael Santos, goleiro e Thiago Sales, zagueiro, são jogadores que não conheço. Mas Felipe, o outro goleiro contratado é horrível. Pra quem não lembra, é aquele mão de alface que equilibrava vários jogos do Santos na Copa do Brasil e no Campeonato Paulista 2010. Também acho que são insuficientes para mudar o quadro do time, mas imagino que mais reforços virão.

Gallo chegou como técnico e pela partida feita contra o Grêmio, parece que botou algumas coisas em ordem. Vai ser seu primeiro jogo em casa no comando da equipe. Rafael Coelho e William não formam lá um grande ataque, mas William é muito de lua. Se tiver no dia faz gol até de bafo quente. Com o que apresentou até agora, não imagino um bom futuro pro Avaí nesse campeonato. Mas tenho receio que, por diversos fatores, esse time faça seu melhor jogo do campeonato nesta quarta. Mesmo assim, se o Bahia jogar com respeito e a mesma determinação que vem mostrando, não deve perder. Meu palpite é 1×1.