Ano passado foi divertido. O Baêa até que avançou na Copa do Brasil passando pelo Itabaiana-SE e depois pelo Goiás em pleno Serra Dourada. Estádio que a gente aprendeu a gostar naquela ocasião e que a Série C (bate na madeira) do ano passado coroou como amuleto tricolor. Nas oitavas, a gente iria enfrentar o Fluminense do Rio e matar saudade dos tempos de Série A. Tudo bem, o Goiás tava na elite também, mas não tem o mesmo peso, nem a mesma tradição do Flu, nosso adversário na histórica semifinal da Copa União de 88. Eu sei que tava com tanta saudade da Série A que decidi assistir os 2 jogos. Tanto o da Fonte, que era o segundo, quanto o do Maracanã. Liguei para um grande amigo meu que mora no Rio, arranjei a hospedagem e peguei uma dessas promoções das companhias de aviação. Ia para lá, pro Maraca, pro maior do mundo, ver o Baêa como nos velhos tempos. Peguei um daqueles vôos de madrugada e cheguei 7 e meia da manhã no Rio. Meu amigo, Otto, me recebeu com uma lata de cerveja gelada. Sim, iniciei os trabalhos antes das 8 da matina e fomos para a praia. A cariocada toda correndo no calçadão, enquanto eu e Otto aumentávamos a barriguinha de chopp.
- “Venha malhar o fígado!” – A gente gritava para todo mundo que passava pelo quiosquezinho do calçadão de Ipanema.
Passamos o dia de bar em bar na maravilhosa orla carioca. Não teve arrastão, não teve assalto, não vi o Capitão Nascimento, nem ninguém do Bope. Naquele dia, o Rio de Janeiro estava tranqüilo. E continua lindo. Impressionantemente lindo. De tardinha, fomos dar uma descansadinha antes do jogo. Até porque eu já estava em um estágio etílico bem acima do normal. Acordamos 1 hora antes da partida e fomos andando. Otto mora na Tijuca, a 10 minutos, a pé, do estádio do Maracanã. No caminho, a torcida do Flu gritava “Tricolor” e eu repetia. Só que meu tricolor era outro. Entramos no Maracanã, constatamos que estava tudo tranquilo e fomos para a torcida do Bahia. Bastou pisar na arquibancada para me sentir em casa. Aquele cantinho ali era nosso. Até que tinha bastante gente por lá. Encontrei logo vários amigos meus. Tixa, Daniel, Pedrão. Alguns que estão morando lá, outros que também estavam no Rio a negócios ou passeando mesmo. E a galera da Bamor, claro. A gente começou a cantar na arquibancada e sempre que o coro engrossava a torcida do Flu vaiava. Do meu lado, tinha um grupo grande de pessoas com um gorro vermelho na cabeça e uma faixa com uma mensagem tipo: FÁBIO SACI. ESTAMOS COM VOCÊ. Eram a família e os amigos de Fábio Saci, atacante do Bahia, que era carioca.
O jogo começou truncado. O Bahia jogava com três volantes, Fausto, Emerson Cris e Marcone e só se defendia. Aos 15, o Fluminense acertou a trave num chute de Rafael Moura e logo na seqüência o esquentadinho Carlos Alberto abriu o placar. 1×0 pro Flu. Puta que pariu. Comecei a ficar com medo de uma goleada. Começaram os clássicos comentários.
- “A defesa tá uma merda.”
- “Paulo Musse é uma merda.”
- “Quem foi o Bahia…”
Por alguns momentos, me senti na Fonte Nova. Sei que o jogo seguiu truncado até o intervalo. A única chance do Bahia no 1o tempo foi numa tentativa de Moré depois de bom passe de Rafael Bastos. E só. Aproveitei o intervalo para pegar mais cerveja e observar o Maracanã. O maior do mundo, às vezes, parecia menor que a Fonte Nova. Não tem aquela pista de atletismo, nem aquele fosso e a gente fica bem mais perto do campo. Talvez por isso essa sensação. Começa o segundo tempo.
“Bora Baêa”,- grita a galera.
E logo no primeiro minuto, o Bahia empatou o jogo. Moré prendeu a bola pela esquerda e virou para a direita. Alguém cruzou na área e Fábio Saci completou pro gol. A galera foi ao delírio. A família e os amigos de Fábio Saci mais ainda. Pulavam se abraçavam, vestiam o gorro com ele e sacudiam a faixa. Lá embaixo Saci pulava de um pé só e se apresentava para o Brasil. Graças àquele gol, ele ganhou uma projeçãozinha e acabou saindo do time. Graças àquele gol e graças a Deus, porque ele era ruim demais. Nada melhor que um Saci para simbolizar a capenguice do time do Bahia. A partir dali, a torcida tricolor só fez comemorar. E tome-lhe cerveja para dentro. O Bahia segurou o empate e Carlos Alberto, o mais perigoso do Flu, ainda foi expulso no fim. Um ótimo resultado, mas que acabou não servindo. O jogo de volta, na Fonte, terminou 2×2 e o Fluminense seguiu na Copa do Brasil até se sagrar campeão da competição. Pelo menos o Bahia não perdeu para o campeão.
Mesmo assim, valeu. Valeu pela viagem, valeu por matar a saudade dos velhos tempos. Valeu por ver meu Baêa no Maracanã. Valeu por estar no Rio de Janeiro. Foi tão legal que quando eu saí do estádio, me prometi que nesse ano iria fazer a mesma coisa. Só que não deu. A diretoria não deixou. O Bahia foi eliminado pelo “poderoso” Icasa de Juazeiro do Norte do Ceará.
Aliás, nos últimos 4 anos, o Bahia foi eliminado 3 vezes na 1a fase da Copa do Brasil. Pelo Ceilândia, Grêmio e, agora, pelo Icasa. O único ano em que o Bahia avançou um pouquinho mais foi esse, em que o time acabou caindo diante do campeão Fluminense.
É… ainda bem que eu pude ir lá conferir. Porque está cada vez mais raro.
Parabéns Maracajá, Petrônio, Rui Acioly e cia.