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Arquivos da Categoria: Cartaxo
A casa nova do Seu José
Seu José estava mesmo precisado de uma casinha. Por isso, ele não poupou esforços na construção do seu novo lar. Levantou saco de cimento no ombro, carregou pilhas de tijolos, quilos de aço, serrou madeira na carpintaria, bateu laje na concretagem. Seu José suava a camisa, criava calo nas mãos e dormia exausto quase todos os dias. Mas ele não ligava para a quantidade enorme daquele trabalho fatigante. Ele sabia que aquele esforço todo valeria à pena. Afinal, ele estava construindo a casa dele. Seu novo lar, seu novo cantinho.
Demorou, mas a casa nova do Seu José ficou pronta. Dava gosto ver a cara de satisfação do Seu José ao ver o trabalho feito, finalizado. Um sorriso de orgulho apareceu no rosto, os olhos aguaram de emoção. “Minha casa… minha casinha….”, pensava Seu José, com o coração batendo forte de felicidade.
A casa do Seu José estava mesmo linda. E ele estava tão feliz que queria mostrar aquela beleza para todo mundo. Seu José marcou o dia e a hora da visita. Acordou cedo para fazer os últimos aprontes. Limpar mais um pouquinho aqui, varrer mais outro tantinho acolá, passar um paninho naquele canto, tirar a última poeirinha naquele outro…
Pronto, agora sim, pode abrir a porta, pode mandar entrar.
E o povo foi entrando. Entrando e admirando. E assim como aconteceu com Seu José, milhares de sorrisos apareceram, milhares de olhos aguaram de emoção. Não dava para esconder a cara de felicidade de cada um ao passar pelo portão de entrada.
Afinal, a casa nova de Seu José era também a casa nova de todo torcedor tricolor.
“Minha casa… minha casinha….”, pensaram milhares de torcedores, com o coração azul, vermelho e branco batendo forte de felicidade.
Poeminha Relaxante para um Domingão Emocionante
Não tem chuva que me impeça, nem calor que me espante.
Não tem trabalho que evite, nem chefe que me amedronte.
Não tem chilique de esposa, nem ultimato de amante.
Não tem motel com peguete, nem cinema com ficante.
Não tem praia até mais tarde, nem festa que se adiante.
Não tem pimenta, moqueca, nem feijão que me desmonte.
Não tem feitiço de bruxa, nem sereia que me encante.
Não tem macumba de santo, nem praga de cartomante.
Não tem stress que atrapalhe, nem problema que atarante.
Não tem acontecimento, nem fato mais relevante.
Não tem hora mais sonhada, nem data mais importante.
Não tem coração mais fiel, nem torcida mais vibrante.
Vai ter é festa, gol, alegria.
É o retorno tricolor.
Domingo, vou ver meu Bahia
De novo, em Salvador.
Bora Bahêêêêêêêêêêêêêêêêa Minha Porra!
Por que a galinha NÃO atravessou a rua.
Pode ter certeza
Lá nas profundezas da alma, no âmago do ser, no fundo do espírito, no íntimo, no cerne, no ventre, nas entranhas, no sangue, na veia… não tem jeito, tá escrito, tá na cara, tá provado. Dá para ver nos gestos, dá para ler nos olhares, nas palavras, no piscar de olhos, nas entrelinhas. Eu sei. Eles sabem. Nós sabemos.
Todo torcedor do Vitória é um pouquinho Bahia.
Seriam as estrelas? Com certeza, sim. Mentem os rubro-negros que se dizem indiferentes às nossas duas estrelas reluzentes no peito. Por mais que eles choraminguem tentando acreditar que elas estão apagadas, eles sabem. Todo mundo vê que eles sabem. Lá no fundo, eles sabem que as nossas duas estrelinhas vão estar sempre vivas na história, nos livros, nas memórias, no palmarés do futebol brasileiro.
Seria a torcida? Também, claro. Mentem os rubro-negros que dizem não ter inveja da nossa imensa e fiel torcida. Na hora do bate-boca, da discussão na mesa de bar, eles fingem desprezo, simulam desdém, mas lá dentro da alma, eles dizem para si mesmos: essa torcida é foda. A melhor torcida do Brasil. Que quebra recorde atrás de recorde, enchendo as arquibancadas qualquer que seja o adversário, pintando o concreto cinzento com as cores do estado amado. O azul, vermelho e branco que tremula nas bandeiras, nas faixas, no peito de cada torcedor.
Seria a aura? Acertou de novo – pensaram os rubro-negros leitores do blog. Eles sabem que o Bahia é diferente. O Bahia tem uma aura especial. É um time simpático, boa pinta, encantador, cativante como poucos. O Bahia é pop, o Bahia é reggae, o Bahia é cult.
O Bahia é axé, diria Luiz Caldas. O Bahia é carnaval, diria Armandinho. O Bahia é lindo, diria Caetano. O Bahia é uma manifestação espiritual subjetiva que irradia e transcende, diria Gil.
É fato: o Brasil inteiro ama o Bahia.
É essa aura que faz do Bahia muito, mas muito mesmo, milhões, bilhões, zilhões de vezes maior que o Vitória. Não importa a divisão, não importa a dívida, a crise ou o resultado do último Ba-vi. E eles sabem disso. Ah, se sabem.
De repente, bate aquele sufoco, aquela agonia. E eles se perguntam porque o Bahia é tanto e o Vitória é nada. E aí, meu amigo, acontece. Mais dia, menos dia, o coração rubro-negro vai se afastando do lado negro da força. Começa ficando só rubro. Depois o céu vai se abrindo e ele ganha o azul. Até finalmente conhecer o branco da paz e ficar azul, vermelho e branco.
Por isso não se espante ao ver o rubro-negro mais rubro-negro que você já viu em toda a sua vida se converter. Vestir a camisa, se enrolar na bandeira tricolor. Acontece com todos eles. A diferença é que alguns se manifestam externamente. Outros só na alma, lá no fundo, daquele jeito enrustido que só eles sabem.
Ah, como sabem.
Ourives e outros ives
A Ourivesaria é a arte de trabalhar com metais preciosos (especificamente prata e ouro), na fabricação de jóias e ornamentos. É uma arte de grande aceitação ao redor do mundo. O profissional que realiza este tipo de trabalho é o ourives.
Bom, você deve estar se perguntando o que é que você tem a ver com isso e o porquê de eu ter ido buscar essa definição no Wikipedia.
Simples, meu caro tricolor. É que ourives é uma das poucas palavras do dicionário que rimam com Pituacives. E já que ninguém vai pronunciar a palavra de rima automática Pituaçu sem o pós-fixo láele, Pituacives é uma palavra que você vai ouvir muito em 2009.
Por exemplo, se o cara pergunta:
- E aí? Vai pra Pituacives?
Aí você responde:
- Quem cuida do seu “precious” é o ourives.
Pronto. O cara se fudeu. Se ele não souber o que é ourives, você dá a explicação acima.
Pesquisando mais palavras com a mesma rima, encontrei algumas que terminam em “ive”, como aclive, declive, detetive, inclusive. Aí é só você jogar pro plural. Tipo:
- E aí? Vai pra Pituacives?
- Meu aclive no meio dos seus declives.
ou
- E aí? Vai pra Pituacives?
- E aí atrás também, inclusives. (esse é um plural a lá Mussum)
ou
- E aí? Vai pra Pituacives?
- Quem te comeu foi o Coronel Mostarda com o candelabro na cozinha do jogo Detetives. (outro plural a la Mussum)
Outra rima é com o pretérito perfeito do verbo estar: estive. Mais ou menos assim:
- E aí? Vai pra Pituacives?
- No seu brioco eu já estives. (de novo, um plural a lá Mussum)
Pode pesquisar palavras em inglês também. Tipo:
- E aí? Vai pra Pituacives?
- Seu cu é All-Inclusives. (foda. Até em inglês tem plural a la Mussum)
Já que eu falei tanto de Mussum, lembrei da palavra preferida do verdadeiro mestre dos trapalhões: forévis. Se fosse forives a rima seria perfeita. Mas Mussum merece uma licença poética. Com um pouco de esforço, a gente pode lançar essa também:
- E aí? Vai pra Pituacives?
- Meu pau no meio seu forévis.
E viva a cultura inútil!
E viva Mussum!
E viva Pituacives!
Puta que pariu! Lá vem rima…
OPINIÃO – Por mais chances para a garotada
Por Adriano Villela (jornalista e colaborador do ecbahia)
As experiências anunciadas pelo técnico Ferdinando Teixeira para o jogo contra o Gama despertaram em mim mais um sentimento de desejo do que esperança de ver o Bahia finalmente dar mais valor à garotada. Afinal, depois de Juca, Brunos Cazarine e Meneghel, Jones, entre outros, vimos o Bahia terminar o ano com Marcelo Ramos e Paulo Roberto no ataque titular. A torcida agora é para que as oportunidades aos atletas vindos da base não fiquem restritas ao derradeiro jogo da temporada. O problema é o cacoete dos dirigentes de enxergarem mais valor em atletas trazidos de times inexpressivos ou ex-reserva do reserva das equipes do eixo Rio-São Paulo.
O ataque é emblemático porque Paulo Roberto foi lançado em plena Série B e Marcelo Ramos, apesar de veterano, também representa o valor da divisão de base tricolor. Para ele ser um goleador reconhecido nacionalmente, alguém teve a coragem de colocá-lo numa sequência de jogos. Isto lá atrás, há cerca de 15 anos, quando o Bahia jogava Série A e via no título do campeonato baiano apenas o cumprimento de uma obrigação. Já Paulo Roberto foi alvo de muitas desconfianças no começo, devido ao corpo nitidamente franzino, mas com gols e assistências garantiu o seu espaço.
Os atuais artilheiros tricolores me despertam na memória o jogo da eliminação na Copa do Brasil deste ano. O Bahia foi desclassificado pelo modesto Icasa-CE mesmo vencendo a partida por 3 X 2. Faltou apenas um gol, fato que se repetiu na decisão do campeonato baiano. Contra os cearenses, o treinador Paulo Comelli até tentou, colocando no segundo tempo dois atacantes. Mas os substitutos, Jorginho e Anderson Costa, não haviam marcado nenhum gol até então!!! Daí surge a pergunta: será que ninguém no clube conhecia o futebol de Paulo Roberto?
Por situações como essa, somadas a um sem número de contratações mal sucedidas – pois baseadas em vídeo editado por empresários – gostaria de ver os garotos que enfrentarão o Gama jogando mais no Campeonato Baiano. Concordo com as declarações do técnico atual, Ferdinando Teixeira, de que não se pode fazer um time só de garotos, que é preciso escalar e sacar algumas vezes o jovem valor até ele deslanchar. Porém, no contexto atual, o “laboratório” podia ser mais amplo.
Numa partida que não vale nada, dá sim para colocar só garotos. Aproveita para antecipar as férias dos mais experientes, garantindo a estes uma pré-temporada maior. O campeão Corinthians já dispensou 16 atletas. Vai até de reserva do reserva para enfrentar um adversário que ainda luta para não cair – América-RN. O jogo de hoje é a chance de ouro para o Bahia identificar ou não a existência de outros atletas com qualidade semelhante à de Paulo Roberto, escondidas pela falta de coragem do clube – praticamente todos os treinadores que passam no Bahia têm este defeito – em abrir espaço para quem tem talento.
Observando melhor os garotos agora, o próximo treinador ou o próprio Ferdinando Teixeira poderá identificar em um jogo oficial quem tem condições de subir logo. E, promovendo um níumero maior de atletas, o Bahia faria menos contratações, privilegiando a qualidade, e não a quantidade. Chega de caminhão de jogadores!! No Brasileiro, entre os jovens houve pelo menos dois bons valores – Ananias e Paulo Roberto -, sendo que Willames, Douglas, Diogo, Bruno Lopes mostraram potencial. Dos contratados, além de Caio e Marcelo Ramos, quem mais jogou alguma bola?
Vamos deixar de preconceito. No lugar dos “reforços” de baixíssima” qualidade, os atletas novatos não farão o Bahia passar vexame. Essa já é a realidade do clube, que, contratando por atacado, está a sete anos sem título baiano, há seis sem conquistar nem a Série C do nacional e há onze sem conseguir voltar para a elite do futebol brasileiro dentro de campo.
Abutres, nós?
Desde o tempo de escola, o povo gosta de ver miséria. Basta a briga começar na hora do recreio que todo mundo corre para ver o sangue. Pau! Porrada! E a gurizada se junta como se o pátio da escola fosse a arquibancada do Coliseu no tempo dos gladiadores.
Engarrafamento quilométrico. Foi aquele acidente horrível ali na frente. Os carros passam devagarzinho para olhar a miséria, o sangue no asfalto, a lata amassada no meio do poste. Ó pra lá! Cê viu? Rapaaaz.
A mídia consegue ser ainda pior, ainda mais nefasta. Mas de quem é a culpa? Tragédia dá audiência. Desastre é notícia. Sangue é dinheiro. E tome-lhe capa de revista, manchete de jornal e 24 horas de televisão. O que ontem era Isabela, hoje é Eloá e amanhã é Deus sabe quem.
Miséria pouca é bobagem. E quanto maior a desgraça, maior é o desejo de acompanhar cada detalhe, tintim por tintim.
Enquanto isso, eu morro de vontade de voltar a ter um estádio para ver meu Bahia.
Eu e milhares de torcedores ávidos por uma arquibancada.
Só não sei se uma coisa tem a ver com a outra.
Será?
07 de Outubro
A terça-feira passada, dia 07/10, marcou o aniversário de 1 ano da última grande emoção da história tricolor. No dia 07 de outubro de 2007, Charles presenteou a torcida triclolor com aquele gol aos 51 do segundo tempo para a alegria de Jaílton, de Seu Geraldo com o abençoado radinho reserva e da imensa e apaixonada torcida tricolor. Naquele dia, muita gente chorou, se emocionou e experimentou sensações nunca antes vivenciadas. Nem mesmo nos títulos de glória. Foi um dia diferente, anormal, atípico, daqueles que a gente não esquece nunca. Nem gagá, nem com Alzheimer.
O dia 07/10/2007, com certeza, rendeu mil e uma histórias, crônicas e resenhas por aí. Uma delas foi postada aqui nesse blog, então recém criado, e fez um enorme sucesso na internet. Foi a história do Seu Jurandir e o taxista, que eu vou reproduzir, na íntegra, para a gente relembrar aquele momento.
“Seu Jurandir no Planeta dos Malucos” foi postado no BBMP dia 25/10/2007, reproduzido no ecbahia, em diversos blogs e milhares de emails.
Seu Jurandir no Planeta dos Malucos
Seu Jurandir chegou em Salvador num vôo da GOL, às 19:20 do dia 7 de outubro. Saiu do avião e partiu para buscar sua mala no saguão de desembarque. Como a bagagem demorava de aparecer na esteira, Seu Jurandir sacou a Maxi-Goiabinha que a aeromoça tinha lhe oferecido e ele havia guardado no bolso para mais tarde. A mala chegou, ele colocou no carrinho e saiu pelo portão para procurar um táxi.
- “Quanto é o táxi até…Ele olhou um papel na sua mão e completou:… Ondina?”
- “Ondina? 88 conto” – disse o motorista.
Seu Jurandir fez cara feia, mas entrou no carro mesmo assim. Afinal, Seu Jurandir é paulista e veio conhecer Salvador pela primeira vez no alto dos seus 53 anos. O táxi partiu e logo depois que passou pelo túnel de bambuzais, o motorista fez um pedido:
- “O senhor se incomoda se eu ligar o rádio?”
Seu Jurandir observou o motorista. Era um homem que aparentava uns 40 anos. Tinha uma aparência serena, óculos escorregando pelo nariz e uma boina azul, vermelha e branca na cabeça. Seu Jurandir disse que não se incomodava, mas ficou surpreso quando o rádio ligou. Não era bossa nova ou MPB, nem pagode, arrocha ou axé. O que estava ecoando dos alto falantes do táxi era um jogo de futebol.
- “É que eu torço pro Bahia, sabe? E esse jogo é decisivo” – explicou-se o motorista.
Seu Jurandir não era muito de papo, nem de futebol. Assistia de vez em quando um jogo do São Paulo na TV, time que ele carregava uma certa simpatia. Por isso, ficou calado, ouvindo o locutor do jogo junto com o motorista.
O locutor gritava:- “6 MINUTOS DE ACRÉSCIMO!!!”
A cada berro do locutor, Seu Jurandir percebia que o motorista ficava mais nervoso. A aparência serena inicial dava lugar a um semblante de desespero. O homem suava e fazia o sinal da cruz enquanto o carro passava pela Avenida Paralela.
- “Não é possível. A gente precisa de um golzinho só!!!” – desesperava-se o motorista.
- “TERMINA O JOGO NO ACRE!” – berrava o locutor.
- “Pelamordedeus, a gente só depende da gente!!!” – desesperava-se ainda mais o motorista.
Seu Jurandir começou a ficar assustado. O motorista estava suando que nem cuscuz, embora o ar-condicionado do carro estivesse ligado no máximo.
- VAI QUE DÁ BAHIA!!!! – berrava o locutor.
- Vai que dá Bahia!!!! – repetia o motorista.
Seu Jurandir já se segurava na porta do carro, quando o locutor recitou:
- “É A ÚLTIMA CHANCE! LÁ VEM CARLOS ALBERTO, CRUZOU NA ÁREA, CHARLES DE CARRINHO…………………………………………………….GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!”
O motorista começou a tremer, chorar e gritar ao mesmo tempo:
- “É goool, é goool, é gooool, bora Bahêa minha porra, bora Bahêa, minha nirgraça!!! Aí bando de rubro-negro feladaputa! Toma aí!!! É a estrela! Eu disse, eu disse!!! É goool porra!! É gol do Bahia caralho!!”
As mãos do homem tremiam, o táxi já não andava em linha reta. Agora, quem se desesperava era Seu Jurandir, que pedia assustado para o táxi parar.
“Pára, pára!” – gritava Seu Jurandir.
“Bahêa, Bahêa! – gritava o motorista.
Meio que em estado de choque, o motorista finalmente encostou o carro no Posto 2 da Paralela. Bastou o táxi parar, para ele deixar seu Jurandir sozinho no carro e sair pela porta correndo e gritando uns 15 Putasquepariu.
Sozinho no carro, Seu Jurandir observava o cenário ao seu redor. Carros buzinando, fogos explodindo no céu, gente gritando, chorando, ajoelhando. Cada vez mais carros chegavam ao posto em festa, comemorando o que parecia ser um título inédito.
Em meio ao buzinaço, o motorista voltou pro táxi.
“Desculpa, senhor. É que é muita emoção. Esse time é foda.”
Agora curioso, Seu Jurandir perguntou:
- O Bahia foi campeão?
- Campeão? Não, se classificou pro octogonal” – respondeu o motorista ofegante.
- Octogonal?
- É, o octogonal da Série C.
- Da Série C? Terceira divisão?
- É ganhamos do Fast, do Fast do Amazonas. 1×0, caralho!
- “Sei, sei” – disse um incrédulo seu Jurandir.
Ainda em êxtase, o motorista perguntou:
“Pra onde é que o senhor está indo mesmo?”
E o seu Jurandir respondeu:
- “Pro aeroporto. Volta pro aeroporto que eu não fico mais um segundo nessa terra de maluco.”
Time sem vergonha. Torcedor idem.
Antigamente, eu tinha vergonha de perder aquele gol feito na cara do gol, de tomar um quedão no meio da rua, de derrubar o copo na mesa do bar, de tirar nota vermelha na escola, de atender a porta de samba-canção, de receber esporro, de conversar com o vizinho no elevador, de pedir aumento pro chefe, de pegar o peso colorido da academia, de fazer telefonema importante, de roubar o pãozinho do aniversário antes do Parabéns, de lembrar do que eu fiz na última bebedeira, de fazer declaração de amor, de falar em público, de puxar papo com desconhecido, de receber elogio, de pedir para alguém pagar a conta, de dar ou tomar um fora, de comprar camisinha ou absorvente na farmácia, de fazer xixi de porta aberta na casa da sogra.
Hoje, eu não tenho mais vergonha de nada.
Deve ser por isso que eu continuo torcendo pro Bahia desse jeito.

